Estudo com 1.079 pacientes liga limitação diária à pior qualidade de vida na artrite
Trabalho brasileiro na BMJ Open tem UFRGS e Hospital de Clínicas de Porto Alegre entre as instituições dos autores, e pesquisadoras pedem que a consulta inclua dor, fadiga e vida sexual.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 14:30 · 3 min de leitura

Um estudo brasileiro publicado na revista BMJ Open em 24 de julho analisou 1.079 pessoas com artrite reumatoide. A conclusão é que a dificuldade nas atividades do dia a dia é o fator mais associado à pior qualidade de vida, física e mental. Nesta quinta (15), duas autoras defendem no The Conversation Brasil que a consulta vá além da medição da inflamação: a reumatologista Licia Mota, que assina o estudo, e a jornalista Eliane Contreras.

Na prática, exame bom não quer dizer que a rotina voltou ao normal. Quem tem artrite pode estar com a doença sob controle e ainda sentir dor, cansaço e perda de autonomia. Esses temas, segundo as autoras, merecem espaço na conversa com o reumatologista.
A UFRGS e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) aparecem entre as afiliações dos autores.
O que o estudo mediu
O trabalho é uma subanálise do estudo REAL, que acompanhou pacientes em 11 hospitais universitários públicos do país entre agosto de 2015 e abril de 2016. Os participantes tinham diagnóstico de artrite reumatoide pelos critérios de 2010 do Colégio Americano de Reumatologia e da Eular (Aliança Europeia de Associações de Reumatologia). Não houve restrição quanto ao estágio da doença ou ao tratamento.
A qualidade de vida foi medida pelo questionário SF-12 e a incapacidade funcional, pelo HAQ. Entre os 1.079 pacientes, 89,4% eram mulheres e a idade média era de 57 anos.
Mulheres tiveram pior resultado mental, mas o estudo não explica por quê
Mesmo depois de considerados outros fatores, ser mulher continuou associado ao pior resultado na dimensão mental da qualidade de vida. Os participantes foram avaliados uma única vez. O estudo mostra associação e não prova que o sexo feminino seja a causa. Possíveis fatores biológicos, clínicos e sociais não foram investigados.
Licia Maria H. Mota é reumatologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). No artigo, ela e Eliane Contreras, da Faculdade VP, citam outros estudos brasileiros, todos com amostras pequenas:
- Rotina: 32 adultos, 28 deles mulheres, reduziram a participação em tarefas complexas, lazer e vida social depois da doença.
- Fadiga: na Coorte Brasília de Artrite Reumatoide Inicial, 57 de 80 pacientes tinham fadiga clinicamente relevante.
- Vida sexual: entre 54 mulheres da mesma coorte com atividade sexual recente, 79,6% apresentaram disfunção sexual.
- Recuperação: 40 pessoas com artrite inicial, 90% mulheres, melhoraram a capacidade funcional em três anos.
As autoras afirmam que esses números não valem para todos os pacientes. Também dizem que fadiga e dor nem sempre acompanham a inflamação. Tratá-las como sinal de doença mais ativa pode levar a aumentar o remédio sem investigar outras causas.
Atividade física entra no tratamento
Segundo as autoras, a Eular reconheceu a atividade física como parte do tratamento padrão em 2018, desde que seja segura, progressiva e adaptada a cada pessoa. A atualização com dados de 2025, publicada neste ano, reforçou a recomendação. Elas afirmam que as respostas sobre qualidade de vida podem indicar necessidade de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia ou tratamento específico para dor.
Serviço: o que perguntar ao reumatologista
- Como estão minha dor e meu cansaço, além da inflamação?
- Quais atividades do dia a dia ficaram mais difíceis?
- Como está minha saúde emocional?
- Posso falar sobre minha vida sexual na consulta?
- Preciso de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia ou orientação para exercício?
O artigo está em acesso aberto: DOI 10.1136/bmjopen-2026-117331.
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