Dólar de até R$ 5,70 em 2027 pode elevar receita da soja e encarecer insumos em até 11%
Relatório da Cogo estima alta de 1,3% a 5,4% na receita da soja e de 1,7% a 6,6% na do milho safrinha, mas a parcela dolarizada dos custos sobe de 5% a 11%.
Por que afeta o RS: Soja e milho são culturas centrais no RS, e a alta projetada dos custos dolarizados pode reduzir a margem dos produtores gaúchos mesmo com câmbio favorável às vendas.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

A Cogo Inteligência em Agronegócio projeta dólar médio entre R$ 5,40 e R$ 5,70 em 2027, segundo relatório divulgado nesta quarta (28). O documento analisa os possíveis efeitos da política econômica do novo governo Lula sobre o setor entre 2027 e 2030. Com esse câmbio, a receita em reais dos produtores de soja poderia crescer de 1,3% a 5,4%, e a do milho de segunda safra, de 1,7% a 6,6%.
Soja e milho são culturas centrais no RS, e o ganho na venda vem com uma conta no outro lado do balcão. A consultoria calcula que os custos da parcela dolarizada da produção podem subir de 5% a 11%. Fazem parte dessa parcela fertilizantes, defensivos, máquinas e financiamentos. O relatório é nacional e não traz recorte para o Rio Grande do Sul.
Receita e custo partem de dólares diferentes
A receita é comparada com um dólar de R$ 5,30, valor que a própria Cogo usava até aqui como projeção para a média de 2027. Em análise anterior, a consultoria via o dólar médio de 2027 em R$ 5,30, com risco de recuo para a faixa de R$ 4,90 a R$ 5,10 num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro.
Já a base dos custos, de R$ 5,14, é outra. Segundo a Cogo, esse foi o dólar médio usado na compra de insumos da safra 2026/27. Os percentuais valem só para a parte dolarizada, não para o custo total de produção. Num cenário mais duro, com dólar a R$ 6,00, a alta dessa parcela chegaria a 16,7%.
O efeito do câmbio depende de quanto da safra já foi vendido. Antes da eleição, só 29% da soja 2026/27 tinha preço fixado, e os outros 71% seguiam sujeitos ao dólar. No milho segunda safra de 2027, apenas 12% estava travado, o que deixava 88% expostos. Quem ainda não fixou preço fica com a receita atrelada ao câmbio que vier.
Outra projeção, do Rabobank, também aponta pressão nos custos, com intensidade diferente por cultura. O RaboResearch estima que o custo operacional do milho no Brasil suba de US$ 739 para US$ 820 por hectare, e o da soja, de US$ 866 para US$ 899. Os dois estudos usam metodologias distintas e não são comparáveis diretamente.
Crédito pesa na conta
A Cogo associa o câmbio a um cenário de juros reais próximos de 9% ao ano e de queda lenta da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A consultoria também aponta R$ 205 bilhões em operações problemáticas de crédito rural no país e inadimplência de 9,69% entre pessoas físicas. Os dois números são nacionais e o relatório não os detalha por estado.
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