Dívida perto de 83% do PIB e promessas de campanha dificultam ajuste fiscal do 4º governo Lula
Mercado projeta dívida bruta de 87% do PIB em 2027, e o Citi calcula que estabilizar a trajetória exigiria esforço de cerca de 4 pontos do PIB.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Reeleito neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa o quarto mandato com a dívida pública em alta e promessas de campanha para financiar. Economistas de mercado avaliam que esse conjunto tende a dificultar a contenção do endividamento, compromisso que aliados do governo assumiram com o mercado financeiro nos últimos meses.
Para quem vive no Rio Grande do Sul, o risco fiscal chega pelo bolso: segundo o Citi, sem uma consolidação fiscal crível, as expectativas de inflação devem seguir sob pressão de alta.
O que dizem os números
A dívida pública está próxima de 83% do PIB. O Prisma Fiscal de outubro, divulgado em 15 de outubro pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, reúne as projeções de mercado. A mediana para a Dívida Bruta do Governo Geral passou de 83,2% para 83,4% do PIB em 2026, e a estimativa para 2027 ficou em 87%.
Para o resultado primário do Governo Central, o mercado projeta déficit de R$ 53,048 bilhões em 2026 e de R$ 44 bilhões em 2027. A meta oficial é de superávit de 0,50% do PIB em 2027, o equivalente a R$ 73,2 bilhões.
Nas contas do Citi, estabilizar a dívida pediria superávit primário de 3,3% do PIB. Como o resultado atual é um déficit efetivo de cerca de 0,5%, o esforço seria de quase 4 pontos percentuais do PIB.
Meta de campanha e pressão por gastos
Durante a campanha, a equipe de Lula se comprometeu com ajuste de aproximadamente 2% do PIB, de forma gradual ao longo do mandato, com nova revisão de incentivos tributários. Outra versão aparece em balanço sobre o novo governo: Lula defendeu manter o arcabouço fiscal e reduzir o déficit aos poucos, até um superávit primário de 1,3% do PIB em 2030.
A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, aponta a valorização do salário mínimo, os gastos previdenciários, os mínimos constitucionais de saúde e educação e as emendas parlamentares como desafios para o equilíbrio fiscal.
O primeiro teste político está marcado: o Congresso que toma posse em fevereiro terá presença ampliada da direita, e o governo precisará negociar o ajuste com ele.
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