Dez entidades de servidores federais criticam gestão Bolsonaro e defendem a de Lula
Manifesto divulgado nesta terça (20) vê reajustes do atual governo como insuficientes e teme a volta da reforma administrativa após o segundo turno.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Dez associações e sindicatos de carreiras do serviço público federal divulgaram um manifesto que critica a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e defende a de Lula (PT). O texto sai na reta final da campanha do segundo turno, no domingo (25), entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
O documento reúne entidades de auditores-fiscais da Receita Federal e do Trabalho, diplomatas, especialistas em políticas públicas e técnicos do Ipea. Completam a lista entidades de analistas de planejamento e orçamento, auditores de finanças e controle e peritos federais Para quem depende de serviços federais no RS, como atendimento da Receita, o que está em jogo é o futuro de salários, concursos e da estrutura desses órgãos.
O que o manifesto diz
O texto não cita nomes, mas compara os dois últimos governos. Afirma que o período Bolsonaro foi marcado por assédio institucional e moral e por perseguição a servidores. Sobre a gestão atual, diz que ela retomou as negociações com o funcionalismo e concedeu reajustes. As entidades os consideram "ainda insuficientes para reparar integralmente as perdas acumuladas".
Entre as preocupações listadas estão a volta da discussão sobre reforma administrativa, o congelamento ou a redução de salários e restrições a novos concursos.
O presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real Pereira dos Santos, afirmou que o problema central da reforma é ser uma tentativa de reduzir custos, e não de melhorar o serviço. Segundo ele, as entidades não negam a necessidade de aperfeiçoar o atendimento, mas há áreas com falta de investimento e demanda reprimida.
Santos disse ainda que, na gestão Bolsonaro, não houve recomposição salarial. No governo atual, de acordo com ele, as carreiras tiveram reajuste linear de 9% em 2023 e, depois, média de 24% nas mesas de negociação, tudo em termos nominais. Não há data-base para o funcionalismo federal: a recomposição depende de cada governo. Ele também citou uma "percepção generalizada" de que parte da política enxerga o Estado como inimigo.
Onde está a reforma administrativa
A PEC 32, enviada por Bolsonaro, cria cinco categorias funcionais e propõe o fim da estabilidade nos termos atuais. Ela está paralisada, enquanto a PEC 38/2025 tramita na Câmara, com debate previsto para se intensificar após o segundo turno. Em 24 de novembro de 2025, o governo disse que a PEC 38 não representa a posição do Executivo.
Na campanha, Flávio Bolsonaro defende um "tesouraço" para reduzir despesas, com menos ministérios e cargos comissionados. Ele defende continuar a reforma administrativa, sem detalhar a estabilidade. O manifesto não menciona o candidato. Ministérios da Gestão e do Planejamento não se pronunciaram sobre o texto até a publicação.
O segundo turno ocorre no domingo (25), e a votação da PEC 38 só deve ganhar força depois disso.
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