Corte de R$ 200 bi sem atingir benefícios zeraria o gasto livre, dizem economistas
Para o economista Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, 90% do gasto primário federal é obrigatório, e o restante inclui universidades, hospitais federais e Polícia Federal.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 17:04 · 3 min de leitura

Um corte de cerca de R$ 200 bilhões nos gastos federais não teria como poupar a área social, afirmam economistas ouvidos pela Agência Brasil. O valor circula na campanha presidencial, e o segundo turno é no domingo (25). Pela avaliação deles, o corte atingiria programas, benefícios e reajustes de aposentadorias, pensões e salário mínimo.
Para o gaúcho, a conta passa pelo que o governo federal paga no estado. Entre as despesas discricionárias, aquelas que o governo pode usar livremente, estão os investimentos e o custeio de universidades, hospitais federais e Polícia Federal. No RS, isso alcança instituições como UFRGS, UFSM, UFPel e Furg. Já os benefícios previdenciários, o BPC e o Bolsa Família são despesas obrigatórias.
Despesa livre da União soma pouco mais de R$ 200 bilhões
O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, afirmou que cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório. Entram nessa conta Previdência, BPC, pessoal, pisos de saúde e educação e Bolsa Família. Segundo ele, as despesas discricionárias somam pouco mais de R$ 200 bilhões.
Bastos resume o raciocínio assim: "Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto. Se não zera, entra nos benefícios. Não há terceira opção". Ele avalia que, para chegar a um ajuste de 1,5% a 2% do PIB, seria preciso mexer em despesas obrigatórias ou nas regras de reajuste dos benefícios.
A professora de economia Maria Lourdes Mollo, da UnB, afirma que não é possível fazer cortes substanciais no orçamento sem afetar a área social. Ela cita o efeito sobre a economia: os gastos públicos têm efeito multiplicador na renda e no emprego, que seria perdido. Mollo explicou ainda que a arrecadação cai junto com o produto. Como o dinheiro da educação e da saúde é uma proporção da receita, ele também cai.
Equipe de Flávio estuda "Super PEC"; ministros de Lula dizem que corte chega aos benefícios
A equipe econômica do candidato Flávio Bolsonaro (PL) estuda propor um corte de até R$ 200 bilhões antes da posse, caso ele vença o segundo turno. A medida viria por meio de uma PEC apelidada de "Super PEC". O valor equivale a cerca de 1,5% do PIB. Os detalhes não foram divulgados oficialmente, mas vazaram nos últimos dias.
A campanha de Flávio sustenta que os cortes seriam limitados a privilégios do funcionalismo público. O candidato também tem dito que não pretende reduzir programas e benefícios sociais se for eleito. Ele cita supersalários e fraudes previdenciárias como alvos.
Do lado do presidente Lula (PT), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não existe detalhamento de como o corte seria feito. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que Flávio não conseguiria cortar R$ 200 bilhões sem mexer no salário mínimo, na Previdência e em outros benefícios. Na equipe de Lula, o discurso é que o ajuste fiscal será necessário em um eventual quarto mandato, mas gradual, ao longo dos quatro anos.
Serviço
- Segundo turno: domingo (25).
- Planos de governo: estão registrados no TSE, no sistema DivulgaCand.
Perguntas frequentes
O que são despesas discricionárias?
São as despesas que o governo pode usar livremente, como investimentos e custeio de universidades, hospitais federais e Polícia Federal.
Quanto do gasto federal é obrigatório?
Segundo o economista Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório.
Quanto somam as despesas discricionárias da União?
Segundo Bastos, pouco mais de R$ 200 bilhões, val
Saber mais
- Agência Brasil – Corte amplo de gastos públicos afetaria área social, dizem economistas
- Folha Regional (reprodução de matéria da Agência Brasil)
- Giro Tapajós (reprodução de matéria da Agência Brasil)
- CompreRural (reprodução de matéria da Agência Brasil)
- Panorama Goiás Comunicação (reprodução de matéria da Agência Brasil)
- Tribuna PR – Equipe de Flávio Bolsonaro estuda cortar R$ 200 bilhões do Orçamento
- Metrópoles – Durigan sobre Flávio: ninguém entendeu de onde virá corte de R$ 200 bilhões
- Jornal GGN – Plano de Flávio de cortar R$ 200 bi, segundo Moretti
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