Colonos queimam oliveiras e ferem fotojornalista do Washington Post na Cisjordânia
Ataque a colheita em Abu Falah deixou ao menos dois feridos; o Yesh Din contabiliza 170 ações de colonos desde 27 de setembro.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 10:34 · 2 min de leitura

Cerca de 80 colonos israelenses mascarados atacaram com pedras e fogo a colheita de azeitonas em Abu Falah, vila palestina perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, nesta sexta (16). Socorristas palestinos informaram que duas pessoas ficaram feridas e foram levadas a hospitais da região de Ramallah. Uma delas é a fotojornalista americana Heidi Levine, do Washington Post.
O episódio é um dos ao menos 170 ataques de colonos registrados desde 27 de setembro pelo Yesh Din, grupo israelense que monitora os assentamentos.
O que se sabe do ataque
Segundo testemunhas ouvidas pela Reuters, os colonos desceram de uma colina sobre o olival onde moradores se reuniam para colher. Alguns levavam botijões de gás e usaram estilingues contra os palestinos. A Reuters descreveu um ataque coordenado, com oliveiras incendiadas e pedras lançadas.
Levine, que está em condição estável, disse do leito do hospital que foi atacada e jogada ao chão.
Ela contou que usava colete à prova de balas e capacete e que os agressores continuaram a chutá-la.
Ela disse que os agressores arrancaram dela as câmeras e o telefone.
Um vídeo mostra a fotógrafa deitada de lado em uma trilha de terra, com as mãos no rosto, cercada por ao menos três colonos.
Exército diz que atirou contra uma pessoa
Em comunicado, o Exército israelense afirmou que soldados e policiais de fronteira dispararam tiros de advertência. Em dado momento, atiraram contra uma pessoa que consideraram uma ameaça.
Um fotógrafo da Reuters disse ter visto ao menos um colono armado atirar.
O editor-executivo do Washington Post, Matt Murray, afirmou em nota que Levine usava identificação visível de jornalista.
O jornal pede investigação completa e acompanhamento das autoridades.
Governo e polícia falam em investigação
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o caso está sob investigação. A polícia israelense informou que abriu inquérito sobre o episódio. A Reuters registra que o Departamento de Estado dos EUA condenou a violência criminosa na Cisjordânia e defendeu a responsabilização dos envolvidos. O órgão também disse estar preocupado com danos a cidadãos americanos e à disposição para assistência consular.
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