Chuva do El Niño favorece bacteriose no trigo do RS; Embrapa alerta para a semente
Bactéria da queima das folhas sobrevive na semente e passa para a planta nova; fungicida não controla o problema, diz a Embrapa Trigo.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 3 min de leitura

O excesso de chuva ligado ao El Niño favorece a bacteriose nas lavouras de trigo do Rio Grande do Sul, informou a Embrapa Trigo, de Passo Fundo, nesta quinta (22). A bactéria Pseudomonas syringae pv. syringae causa a queima das folhas e pode passar para as plantas novas pela semente.
Para quem planta, o alerta vale já para a próxima safra: a Embrapa recomenda produzir semente apenas em lavouras com baixa ocorrência da doença. A safra de trigo entra na reta final no estado, e a umidade atinge a maioria das regiões produtoras, segundo o órgão. A Embrapa não divulgou estimativa de área afetada nem de perdas.
Chuva e temperatura amena aceleram a bactéria
A bactéria encontra o cenário ideal com alta umidade e temperaturas entre 15 e 20°C, segundo a Embrapa Trigo.
"Quando as condições climáticas são ideais ao desenvolvimento da bactéria, como neste ano, a população bacteriana aumenta a tal ponto que a ação das toxinas produzidas contribui significativamente para o aparecimento de sintomas", explicou Maciel.
A Embrapa informa que lesões translúcidas, com aspecto de queima, têm aparecido nas folhas e são possivelmente causadas por bactérias. Nas folhas primárias, o sintoma aparece como mancha de aspecto encharcado, de cor verde-acinzentada a marrom-clara. A presença da bactéria na semente não tem sido associada à podridão ou à morte de raízes.
Semente limpa é a principal defesa
A presença da bactéria na semente pode ser confirmada por testes de laboratório. Não existe bactericida registrado para tratar semente, afirmou Maciel. A termoterapia, que usa calor no tratamento preventivo, também não foi recomendada: os resultados das avaliações não bastaram para indicá-la como medida viável.
"A recomendação para evitar ou minimizar os danos da queima bacteriana causada por Pseudomonas é a utilização de sementes livres da bactéria", disse o pesquisador. Isso depende, segundo ele, de usar semente de lavouras com baixa ocorrência da doença.
A resistência genética ajudaria, mas o uso é limitado no Brasil. Há pouca informação sobre como as cultivares reagem à queima bacteriana, explicou Maciel. A Embrapa não apresentou previsão de cultivares resistentes nem de novos produtos.
Fungicida segue valendo para os fungos
Os fungicidas não controlam bactérias, que continuam no ambiente mesmo depois da aplicação. Mesmo assim, a Embrapa orienta manter o controle de ferrugem, manchas foliares, oídio e doenças de espiga nesta fase. "Em algumas lavouras com cultivares suscetíveis à ferrugem e manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida", afirmou Maciel. Por isso, ele pede cuidado para não superestimar o dano causado pela bactéria.
O comunicado da Embrapa diz que não há defensivo registrado no Mapa para bacteriose do trigo. Já a bula do Kasumin, da UPL, traz a queima da folha do trigo (Pseudomonas syringae pv. syringae) entre as indicações de uso. O produto tem princípio ativo casugamicina e número de registro no Mapa. Antes de aplicar qualquer produto, o produtor deve consultar o Agrofit, sistema de defensivos do Mapa, e o responsável técnico da lavoura.
Quem pretende reservar lavoura para semente deve dar preferência a áreas com pouca queima bacteriana e pode confirmar a presença da bactéria na semente por teste de laboratório.
Perguntas frequentes
Fungicida controla a bacteriose do trigo?
Não. Os fungicidas não controlam bactérias, que continuam no ambiente mesmo depois da aplicação.
Como evitar a bacteriose na próxima safra?
Usar semente livre da bactéria, produzida em lavouras com baixa ocorrência da doença, confirmada por teste de laboratório.
Existe bactericida para tratar a semente?
Não há bactericida registrado para tratar semente, segundo a Embrapa Trigo.
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