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Carney diz em Montreal que Canadá quer ser membro associado da UE; bloco resiste ao termo

Von der Leyen repetiu a proposta, mas a Alemanha e outros países rejeitam o rótulo, que hoje não existe no bloco europeu.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Mark Carney em Calgary, em 15 de maio de 2026.
Foto: Jasonhargrove / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta quinta (29), em Montreal, que o país trabalha para se tornar "membro associado" da União Europeia. Carney recebe os dois principais líderes do bloco numa cúpula que ele chama de "aliança para o futuro". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, repetiu a ideia em discurso na cidade.

Para o leitor gaúcho, o efeito é indireto. O Brasil não participa da negociação. Está em jogo a relação comercial, econômica e de defesa entre duas economias que também compram e vendem produtos do agro e da indústria. Nenhuma medida da cúpula altera, por ora, regras de exportação do RS.

O rótulo divide a Europa

Von der Leyen defendeu no mês passado que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE, mas a proposta enfrenta objeção dentro do bloco de 27 países. O status não existe atualmente. A Alemanha, entre outros, rejeitou a expressão. A menção foi retirada de um rascunho de declaração conjunta na quarta (28). Mesmo assim, von der Leyen voltou a falar em uma parceria que chega "mais perto de uma adesão" do que qualquer outra já feita.

Carney, que até então evitava o termo, mudou o tom. Em encontro com empresários, disse que as duas partes têm uma "missão comum" de forjar uma nova aliança, com o Canadá como membro associado. Segundo a CBC, segue sem clareza como seria esse modelo e quão viável é a proposta.

O que já existe entre Canadá e UE

A base comercial é o CETA, o acordo de livre comércio em vigor entre as partes. Em maio de 2025, von der Leyen citou a "relação comercial muito forte", segundo ela comprovada pelo sucesso do CETA, e a cooperação em inteligência artificial, energia limpa e minerais críticos. Os dois líderes discutiram a Parceria Estratégica do Futuro, com prioridades como minerais críticos, energia limpa, IA e defesa.

Os dois líderes também apontaram ameaças à soberania. Eles alertaram que governos estrangeiros e grandes empresas de tecnologia podem usar dependência comercial e de suprimentos para pressionar parceiros. Carney disse que a aliança reduziria a exposição do Canadá a choques externos.

Como o termo "membro associado" ainda não tem definição jurídica, qualquer avanço depende de acordo entre os 27 países do bloco.

Saber mais: fontes consultadas (4)

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