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Campanha de Lula pede à PF e à PGE que investiguem se Meta beneficiou Flávio Bolsonaro

Coligação petista estima em R$ 7,4 milhões a vantagem de alcance do senador e levou o caso a um relator da ONU; a Meta diz que houve falhas técnicas.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 09:40 · 3 min de leitura

Foto de Heitor Carvalho Jorge, sobre a campanha eleitoral citada na matéria (crédito: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0).
Foto: Heitor Carvalho Jorge / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou neste sábado (17) a Procuradoria-Geral Eleitoral e a Polícia Federal. O pedido é para investigar uma suposta vantagem econômica não declarada da Meta à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). O caso também foi enviado a Leopoldo Maldonado Gutiérrez, relator especial da ONU para a liberdade de opinião e expressão.

O caso mexe com a reta final da campanha, a uma semana do segundo turno. A ordem de neutralidade que o TSE impôs à empresa vale para o conteúdo dos dois candidatos que chega aos eleitores gaúchos pelo Instagram e pelo WhatsApp. A Meta nega favorecimento e diz que os episódios foram falhas técnicas.

O que a campanha de Lula alega

Segundo o pedido, entre 1º de setembro e 14 de outubro os vídeos de Flávio tiveram média de 6,68 milhões de visualizações, contra 4,81 milhões dos de Lula. O petista tem mais seguidores. A coligação estima a diferença de 39% em R$ 7,44 milhões em impulsionamento, valor que não consta na prestação de contas do candidato do PL. Esse cálculo é uma estimativa da própria campanha e não comprova repasse de dinheiro ou benefício financeiro.

A representação também cita buscas e recomendações. No Instagram, o perfil de Flávio aparecia nas sugestões e o de Lula não aparecia nem com o nome exato. No WhatsApp, a busca pelo canal "Exército do Lula" sugeria "Tropa do Flávio".

O documento pede a abertura de procedimento de apuração e a oitiva de Flávio, do tesoureiro da campanha, Marcelo Lopes de Azevedo, e de representantes da Meta. Pede ainda a preservação de mensagens internas da empresa e de dados dos sistemas de recomendação. A campanha de Flávio não se manifestou publicamente sobre o pedido até a publicação desta matéria.

O que a Meta responde

Em nota na sexta-feira (16), a empresa afirmou: "A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição". Sobre a conta de anúncios de Lula, a Meta reconheceu que ela foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, em 23 de setembro. Um anúncio foi identificado incorretamente como possível fraude envolvendo programas sociais do governo.

Em 9 de outubro, uma falha global no Gerenciador de Anúncios afetou milhares de anunciantes em vários países. O funcionamento voltou nas primeiras horas de 10 de outubro, após a reversão de uma atualização de código.

Sobre a Meta AI, a empresa disse que os sistemas bloqueavam pedidos com os nomes explícitos dos candidatos, mas nem sempre reconheciam nomes comuns combinados com números eleitorais. Por isso, pedidos com "Flávio" e o número 22 podiam gerar imagens de campanha. A mesma brecha permitia criar imagens com "Luiz" e o número 13.

TSE já impôs neutralidade à empresa

Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, proibiu a Meta de limitar o alcance de conteúdo político-eleitoral de Lula e de Flávio. A decisão prevê multa diária de R$ 500 mil. Na decisão, o ministro afirmou que, até aquele momento, não havia elementos suficientes para concluir que a empresa manipulou deliberadamente a distribuição de conteúdo.

A ordem vale até o fim do segundo turno. A Meta não pode desativar contas de anúncios das candidaturas nem restringir impulsionamentos sem revisão humana. Medidas aplicadas automaticamente devem ser revisadas em até duas horas, com comunicação ao Tribunal.

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