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Caixa-preta do helicóptero de Rick não gravou o voo da queda, aponta Cenipa

Relatório preliminar também cita falhas intermitentes nos geradores e alerta de obscurecimento de montanha na Serra Geral, mas não define a causa do acidente.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A misty, forested mountain ridge at dawn, with low cl
Ilustração: Bairrista

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta (22) o relatório preliminar sobre a queda do Bell 430 PP-MGR, que matou o cantor Rick Sollo, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas. O acidente ocorreu em 21 de setembro, em Urubici, na região serrana de Santa Catarina. O documento diz que o gravador de voz da cabine (CVR) não registrou o voo da ocorrência.

Quadro: Caixa-preta do helicóptero de Rick não gravou o voo da queda, aponta Cenipa
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O relatório descreve um histórico de problemas na aeronave que inclui um pouso de emergência em Ibiaçá (RS), em 30 de março, motivado por uma vibração considerada anormal. Os investigadores apuram se as falhas anteriores podem ter contribuído para a queda.

Gravador tinha só áudio de manutenção

"As gravações do CVR foram extraídas pelo CENIPA, porém não correspondiam ao voo da ocorrência", diz o relatório. O conteúdo encontrado incluía diálogos de uma intervenção de manutenção, feita em data não determinada.

O equipamento não é exigido pelos Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para essa aeronave, mas havia um instalado em 17 de maio de 2002, com capacidade de 30 minutos de gravação. O manual do gravador previa um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia, por um botão no painel. Esse procedimento não constava da lista de verificações encontrada junto à aeronave. O Cenipa não apontou o motivo de o equipamento não ter gravado o voo.

Geradores falhavam com umidade

Segundo o relatório, houve relatos de falhas intermitentes dos geradores, algumas em situações de exposição à umidade, como voo dentro de nuvens ou sob chuva. Depois de uma troca de posição das peças, em maio de 2026, as falhas passaram a ocorrer alternadamente nos dois geradores. O documento também registra relatos de falhas anteriores na função de piloto automático.

Previsão era de chuva e montanha encoberta

O Cenipa cita uma mensagem meteorológica que previa chuva moderada, visibilidade de 3.000 metros e trovoadas embutidas. A previsão indicava nuvens do tipo CB e TCU, com bases a 2.500 pés e topos acima de 10.000 pés. A mensagem indicava obscurecimento de montanha na Serra Geral. Uma frente fria avançava pelo Sul do país no momento do acidente, com chuva, nuvens baixas, nevoeiro e redução da visibilidade.

A ocorrência foi classificada como CFIT, termo para quando uma aeronave sob controle dos pilotos colide com o terreno. O Cenipa afirma que a investigação segue em andamento e que os fatores apresentados não são conclusões definitivas sobre as causas.

Proprietária diz que não há conclusão

A JTA Empreendimentos e Urbanismo, proprietária do helicóptero, informou em nota que o reporte preliminar não apresenta conclusões sobre as causas do acidente.

O Cenipa recolheu computadores de bordo, painéis eletrônicos, GPS e unidades de controle dos motores para tentar recuperar dados de memória. Os celulares e tablets das vítimas estão sob custódia da Polícia Científica de Santa Catarina. O Cenipa não informou prazo para o relatório final.

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