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Brent sobe 3,13%, a US$ 116,72, e pressiona diesel e frete no RS

Barril fecha no maior valor desde abril, com a tensão entre EUA, Israel e Irã, enquanto o diesel S-10 já custa R$ 7,24 por litro, em média, nos postos gaúchos.

Por que afeta o RS: Alta do Brent pode repercutir nos preços dos combustíveis e no custo do transporte no estado.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Foto: Brent sobe 3,13%, a US$ 116,72, e pressiona diesel e frete no RS
Foto: Divulgação/portal.fgv.br

O petróleo Brent para dezembro subiu 3,13% na sexta-feira (23) e fechou a US$ 116,72 por barril, o maior valor desde abril. O contrato foi negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, e ganhou US$ 3,55 no dia. Na semana, o Brent para dezembro acumulou alta de 6,24%.

Para quem vive no RS, o ponto de atenção é o diesel, que move caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Na semana de 11 a 17 de outubro, o litro do S-10 custava em média R$ 7,24 no estado e R$ 7,16 em Porto Alegre, segundo levantamento da ANP. O dado não mede o efeito da alta de sexta, que ainda não passou pelas refinarias nem pelas bombas.

O que puxou a alta

O mercado reagiu ao risco de novos confrontos entre Estados Unidos, Israel e Irã e de interrupções no fornecimento. Segundo a Reuters, ataques dos houthis na Arábia Saudita alimentaram as preocupações com o abastecimento no Oriente Médio. Teerã também ameaça atingir aeroportos e oleodutos civis no Golfo caso EUA e Israel retomem a campanha aérea.

O banco ING, que previa o Brent a US$ 80 no quarto trimestre, passou a considerar essa meta fora de alcance. Para o banco, a sustentação das cotações vem da chance de novos choques, e não do quadro atual de oferta. O Departamento de Energia dos EUA liberou volumes e submeteu propostas ligadas à Reserva Estratégica de Petróleo para estabilizar o abastecimento.

Petrobras e câmbio seguram o repasse, por ora

O dólar ajuda. A moeda americana fechou abaixo de R$ 5 na sexta, na véspera do segundo turno das eleições. Isso reduz o peso do petróleo caro na conta em reais.

A Petrobras mexeu no diesel pela última vez em março: aumento de R$ 0,38 por litro às distribuidoras, o primeiro em mais de um ano. Desde então, a defasagem em relação ao mercado internacional cresceu. Em análise de 22 de outubro, o Goldman Sachs estimou que a estatal vende o diesel a R$ 5,43 por litro, contra paridade de importação próxima de R$ 6,89. O banco mantém como cenário-base preços estáveis até o fim do ano.

O risco está no fim do subsídio a importadores. Nessa hipótese, o Goldman calcula reajuste de até 50%, cerca de R$ 1,50 por litro, depois do segundo turno, marcado para domingo (25). Em cenário extremo, o diesel iria de R$ 7,34 para algo entre R$ 9 e R$ 10 por litro.

Fiscalização no diesel do interior

Em 15 de outubro, ANP, Senacon e Procons fizeram fiscalização conjunta no RS, que incluiu a apuração de denúncias de aumento do diesel vendido por transportadores-revendedores-retalhistas, os TRRs. Esses fornecedores atendem, entre outros, pequenos agricultores.

Entre 5 e 9 de outubro, a ANP fiscalizou postos, distribuidoras e revendas de GLP em Caxias do Sul, Esmeralda e Vacaria. Foram apreendidos 54.520 litros de combustíveis e 34 botijões de gás.

O próximo passo é a decisão da Petrobras sobre os preços nas refinarias, que deve vir depois da votação de domingo (25) e do comportamento do Brent na abertura da semana.

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