BC diz ser cedo para medir efeito da alta do dólar; moeda foi a R$ 5,584 após eleição
Chefe de Estatísticas do Banco Central afirma que parte da desvalorização do real pode ser devolvida e que o balanço de pagamentos não reage de forma instantânea.
Por que afeta o RS: A alta do dólar tende a pressionar preços de insumos e importados e afeta exportadores gaúchos do agro e da indústria.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, disse nesta segunda (26) que é cedo para projetar os efeitos da disparada do dólar. A moeda subiu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 10h14, a moeda subia 11,77% e chegava a R$ 5,584, e a B3 acionou o circuit breaker.
Para o RS, a fala do BC indica que o impacto sobre as contas externas não deve ser imediato. Um dólar mais caro tende a pressionar insumos e produtos importados. Ao mesmo tempo, melhora a receita em reais dos exportadores gaúchos do agro e da indústria, que vendem em moeda estrangeira. O efeito final depende de contratos, prazos de recebimento e proteção cambial de cada empresa.
Balanço de pagamentos não reage na hora
Rocha falou por volta das 11h. Segundo ele, é preciso esperar mais tempo para ver a reação mais definitiva do mercado, que depende também de políticas do governo e de dados de atividade econômica. Para o chefe do Departamento de Estatísticas, o balanço de pagamentos do país não deve responder de modo instantâneo a uma mudança tão brusca.
Sobre a desvalorização do real, ele afirmou: "Uma parte dessa depreciação pode ser devolvida, outra parte pode ficar permanente". Rocha acrescentou que a devolução também pode ser integral.
B3 suspende pregão por 30 minutos
O circuit breaker interrompe as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior. A B3 suspendeu o pregão por 30 minutos a partir das 10h, com retomada prevista em leilão entre 10h30 e 10h35. Por volta das 11h, o Ibovespa recuava 15,9%, aos 172.479,84 pontos, segundo a Reuters.
Na sexta (23), a moeda havia fechado abaixo de R$ 5, depois de meses de valorização do real, alimentada pela aposta do mercado na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Focus foi coletado antes da eleição
O boletim Focus divulgado nesta segunda mostra economistas consultados pelo BC reduzindo a projeção para o câmbio. A estimativa para o fim de 2026 caiu de R$ 5,13 para R$ 5,05, e a de 2027, de R$ 5,22 para R$ 5,15. As respostas foram dadas antes do resultado eleitoral, e a cotação desta manhã ficou acima dessas projeções.
O Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana, segundo o jornal Extra.
Os números de outubro, mês da eleição, só entram nas estatísticas do setor externo do BC depois do fim do mês. A divulgação ocorre até quatro semanas após o período de referência.
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