Ativista trans é a 1ª no Brasil a receber injeção experimental contra HIV a cada 4 meses
Estudo global da GSK testa cabotegravir e rilpivirina com intervalo de quatro meses; o Ministério da Saúde diz que não há discussão sobre incorporar injetáveis ao SUS.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 12:50 · 2 min de leitura

Pisci Bruja, mulher trans de 37 anos, é a primeira participante no Brasil a receber um antirretroviral injetável experimental aplicado a cada quatro meses. Antropóloga, ela é ativista pelos direitos de pessoas que vivem com HIV. A primeira aplicação foi em 22 de setembro de 2026, no Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids (CRT), em São Paulo. A pesquisa é da farmacêutica GSK.
Para quem vive com HIV no Rio Grande do Sul e no resto do país, o tratamento pelo SUS segue baseado em comprimidos diários. Segundo a Folha de S.Paulo, o Ministério da Saúde afirmou que "não há discussão acerca da incorporação de novas opções terapêuticas" injetáveis. O motivo é a situação de registro desses medicamentos no Brasil.
Injeção pode reduzir aplicações para três por ano
O tratamento em teste não é vacina. É uma injeção nos glúteos com remédios que controlam a multiplicação e a evolução do vírus. A pesquisa avalia a eficácia e a segurança da combinação de cabotegravir e rilpivirina a cada quatro meses.
O grupo de comparação recebe o esquema que já existe em outros países, com aplicações a cada dois meses. Se o intervalo maior se mostrar seguro e eficaz, serão três aplicações por ano. O infectologista José Valdez Madruga, investigador principal do estudo no Brasil, explicou à Folha que isso reduz de seis para três as idas anuais ao serviço de saúde.
Pisci vive com HIV desde 2013 e tomava um comprimido por dia. A última pílula foi em 21 de setembro. "Tomar remédio todo dia é chato", disse ela à Folha.
Estudo terá até 77 brasileiros, sem inscrição aberta
No Brasil, a pesquisa ocorre em sete centros, e cada um prevê recrutar de nove a 11 pessoas. Ao todo, entre 63 e 77 brasileiros devem participar. Segundo a Folha, não houve inscrição aberta ao público: pessoas já atendidas na rede pública passaram por triagem clínica.
O estudo prevê cerca de 564 participantes em nove países. A conclusão está estimada para 2029.
SUS tem 30 opções de comprimido diário
O Ministério da Saúde informou à Folha que as 30 opções de uso diário já aprovadas garantem supressão da carga viral em 96% das pessoas atendidas pelo SUS. Madruga defende que o país não precisa esperar o fim do estudo para adotar o esquema de dois em dois meses. Esse esquema já foi aprovado por agências como o FDA, nos EUA, e a EMA, na Europa.
O cabotegravir injetável já está no mercado brasileiro como prevenção, e não como tratamento. A Anvisa o aprovou em
Perguntas frequentes
A injeção contra HIV de quatro em quatro meses já está disponível no SUS?
Não. O Ministério da Saúde disse à
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