Após tumultos com 2.397 detidos na França, extrema direita de Le Pen faz campanha da ordem
Governo culpa a ultraesquerda de Mélenchon, que acusa o Executivo; pesquisa Odoxa, feita antes dos distúrbios, dá 37% a 38% a Le Pen no 1º turno de 2027.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Protestos contra o custo de vida e por melhores escolas terminaram em saques e confrontos em cidades francesas no sábado (17). No domingo (18), a Reunião Nacional (RN), de extrema direita, passou a usar a violência como argumento de campanha. O Ministério do Interior registrou 2.397 detenções e 997 policiais e gendarmes feridos, sete deles gravemente.
A discussão sobre quem responde pelos distúrbios abre a corrida presidencial francesa, que tem o primeiro turno marcado para abril de 2027. Marine Le Pen, candidata da RN, lidera as pesquisas. O embate mostra o tom da campanha: segurança pública no centro da disputa e três campos trocando culpas.
Governo e ultraesquerda trocam acusações
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu a violência à "ultraesquerda" e a criminosos. O presidente Emmanuel Macron culpou "agitadores de grupos marginais da extrema esquerda". Em pronunciamento à nação, Macron disse que é preciso separar manifestantes com demandas legítimas dos saqueadores.
Jean-Luc Mélenchon, principal nome da ultraesquerda, responsabilizou o governo. Mélenchon também criticou a atuação da polícia. A França Insubmissa nega que tenha incitado a violência.
O governo também está sob pressão por causa do policiamento. Macron prometeu "total transparência" sobre a resposta das forças de segurança, após críticas de que a preparação foi insuficiente. Ele pediu ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, que tire lições sobre a coleta de informações e a antecipação dos atos.
RN fala em "restaurar a ordem" e mira Mélenchon
Jordan Bardella, presidente da RN, disse no domingo que a França paga por décadas de leniência com o crime e de enfraquecimento das forças de segurança. Pediu que os "cidadãos honestos" votem no partido e afirmou que a RN está pronta para restaurar a ordem.
Le Pen acusou Mélenchon e aliados de "legitimar a violência" e de sequestrar demandas sociais legítimas. A LFI nega. Ela também chamou o governo de "exausto" e desorientado. Em vídeo divulgado no domingo à noite, disse que, em seis meses, os franceses poderão escolher o caminho da autoridade e da segurança.
O cientista político Bruno Cautrès, do Sciences Po, avaliou que a imagem de destruição favorece a RN. Vincent Martigny, professor da Universidade Côte d'Azur, disse que a violência se encaixa na narrativa do partido de uma França dividida entre os centros urbanos e o interior. Para ele, o efeito duradouro depende de os protestos continuarem. Analistas lembram que seis meses são muito tempo em política.
Pesquisa é anterior aos distúrbios
Na pesquisa Odoxa, Le Pen aparece com 37% ou 38% no primeiro turno, conforme o cenário. O levantamento ouviu 12.000 pessoas entre 24 de setembro e 7 de outubro. Mélenchon fica em segundo, com 18% ou 18,5%. O ex-primeiro-ministro centrista Édouard Philippe teria 17%, e Gabriel Attal, 11%. Le Pen venceria Mélenchon com folga no segundo turno. Como o campo terminou antes dos distúrbios, a sondagem não mede o efeito deles.
Estragos e próximos passos
Mais de meio milhão de pessoas participaram dos protestos. Centenas de lojas foram saqueadas em Paris e em outras cidades, com prejuízos estimados em centenas de milhões de euros.
O governo ainda não divulgou conclusões sobre a atuação das forças de segurança. A eleição presidencial francesa tem primeiro turno previsto para abril de 2027.
Saber mais
- France 24 – Macron denuncia violência 'desenfreada'
- ABC News (Austrália) – França sofre com violência nos protestos
- NBC News – França estuda toques de recolher após pior violência em anos
- Fox News – Macron sob escrutínio por protestos violentos
- Reuters/US News – Pesquisa Odoxa: Le Pen e Mélenchon ganham fôlego
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