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COP17 da biodiversidade abre na Armênia com metas de 2030 atrasadas

Conferência da ONU em Yerevan vai até 30 de outubro; financiamento e subsídios prejudiciais à natureza dominam a pauta, e o Brasil leva a defesa de corredores ecológicos.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Foto: COP17 da biodiversidade abre na Armênia com metas de 2030 atrasadas
Foto: Divulgação/ONU

A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17) foi aberta em Yerevan, na Armênia, com mais de 10 mil delegados. O encontro vai de 19 a 30 de outubro. É a primeira revisão global do que os países fizeram para cumprir o Marco Global de Kunming-Montreal.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, o debate chega perto. O Brasil tem papel central nas negociações, e entre seus ecossistemas estão a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa. O Pampa cobre boa parte do território gaúcho. Metas de proteção, restauração e corte de incentivos nocivos à natureza tendem a pesar sobre a pecuária e a lavoura do estado.

Metas atrasadas e pouco dinheiro

O marco, firmado em 2022, tem 23 metas para 2030. O relatório State of Biodiversity Action, divulgado em 15 de outubro pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, mostra que menos da metade das metas avaliadas está no caminho certo. Um rascunho de relatório da ONU indicava que os países não estão no ritmo para cumprir 22 das 23 metas.

A meta é proteger 30% das terras e águas do planeta. Guterres avisou que, mesmo com os compromissos. Ele chamou Yerevan de "momento de prestação de contas".

O dinheiro é o ponto mais sensível. O marco prevê ao menos US$ 200 bilhões por ano até 2030 para a biodiversidade, mas estimativas anteriores à COP17 apontam algo entre US$ 75 bilhões e US$ 92 bilhões mobilizados. O Fundo Cali, principal resultado da COP16, recebeu apenas US$ 10,6 mil, diante de uma meta de US$ 1 bilhão. A proposta de um mecanismo financeiro próprio para a convenção, que travou a COP16, volta à pauta sem garantia de acordo.

Outro tema é a reforma dos subsídios que prejudicam a natureza. A meta anual para esse redirecionamento é de US$ 500 bilhões.

O que o Brasil leva a Yerevan

Integrantes da delegação brasileira dizem que o país tem papel estratégico na implementação do marco, pela biodiversidade e por modelos de conservação que podem ser adotados em escala global. Um exemplo é a conectividade entre áreas de conservação terrestres, de água doce e marinhas, por meio de corredores verdes e azuis. O WWF-Brasil também levará o tema à conferência. "Proteger e reconectar paisagens e ambientes é fundamental para ampliar a conservação e atingir as metas de biodiversidade até 2030", afirmou Marcelo Oliveira, diretor técnico de Biodiversidade da organização.

Só 113 países (58%) apresentaram seus planos nacionais para a biodiversidade, e o Brasil está entre eles.

Decisões e próximos passos

Os delegados tentam fechar o chamado Caminho de Yerevan, um conjunto de decisões para acelerar a implementação, reduzir as lacunas de financiamento e recolocar os compromissos nos trilhos. O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, pediu que os países transformem compromissos em ações concretas e resultados mensuráveis. A secretária-executiva da convenção, Astrid Schomaker, disse esperar que a COP17 mostre que o multilateralismo funciona.

A negociação segue até 30 de outubro, em Yerevan. A COP31, sobre clima, está prevista para o mês que vem, na Turquia.

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