2.000 civis seguem sem comida em Oleshki; Ucrânia acusa Rússia de barrar evacuação
Kiev diz ter plano pronto e apoio da Cruz Vermelha, mas nenhum corredor humanitário foi acordado na cidade ocupada, na margem do Dnipro oposta a Kherson.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 05:13 · 2 min de leitura

Cerca de 2.000 civis continuam em Oleshki, cidade ucraniana ocupada pela Rússia, sem comida regular, água potável, atendimento médico ou eletricidade. A Ucrânia afirma estar pronta para retirá-los com a Cruz Vermelha. Moscou não deu aval, e não há corredor humanitário acordado.
Quase 50 crianças estão na cidade, segundo estimativa divulgada pela imprensa ucraniana.
Oleshki fica na frente sul da guerra, do outro lado do Dnipro em relação a Kherson. A cidade está sob controle russo desde 2022.
A última entrega de alimentos por estrada ocorreu em 26 de maio, segundo Tetiana Hasanenko, chefe da administração municipal no exílio. Ela disse ao jornal The New York Times que as viagens pararam depois que vários motoristas morreram.
Kiev diz que Moscou responde "não" a todas as propostas
O comissário de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, afirmou que Kiev ofereceu rotas seguras e cessar-fogo. Segundo ele, a resposta russa a todas as propostas foi "não". A Cruz Vermelha confirmou que está pronta para ajudar na evacuação e aguarda um acordo entre as partes.
Lubinets também estima que mais de 6.000 civis, cerca de 200 crianças entre eles, podem estar em Oleshki e arredores. Segundo ele, o gabinete verificou ao menos 358 pessoas que precisam de ajuda urgente para sair.
Autoridades ucranianas dizem que a Rússia ataca os drones que tentam lançar suprimentos. O chanceler Andrii Sibiha afirmou que "a ajuda humanitária não deveria ter de ser entregue sob ataques de drones". Ele cobrou da ONU e da Cruz Vermelha uma forma de retirar os civis.
O Kremlin reconheceu uma "verdadeira catástrofe humanitária" em Oleshki, em declaração ao New York Times. O porta-voz Dmitri Peskov culpou as Forças Armadas ucranianas. Segundo ele, elas impedem a saída dos moradores e usam drones para barrar a entrega de comida e água.
Corredor pelo rio depende do aval russo
O terreno minado torna a saída por terra muito perigosa. Um plano de resgate apresentado em entrevista à revista Tyzhden segue a lógica das operações humanitárias da ONU e prevê quatro etapas. Por causa das minas, a proposta principal é um corredor emergencial pelo rio. O plano depende de aceitação russa.
Saber mais
- Interfax-Ucrânia (Lubinets: Rússia bloqueia corredores)
- UNN (Rússia rejeitou propostas de evacuação)
- Kyiv Post (Lubinets, 358 pessoas verificadas)
- Ucrânia (Ucrânia e Cruz Vermelha prontas para evacuar)
- Tyzhden/UAZMI (entrevista sobre plano de resgate)
- Ukrainska Pravda (Hasanenko, sem alimentos desde 26 de maio)
- The Philadelphia Inquirer / The New York Times (declarações de Sibiha e Peskov)
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