Vucic reconhece derrota na Sérvia para movimento estudantil, com 135 a 140 cadeiras
Projeção coloca o partido governista com 105 das 250 vagas do Parlamento, e 24 ONGs sérvias dizem que não houve eleição livre e justa.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura
Atualizada 25/10, 20:47 · Entram a atribuição da derrota por Vucic à imprensa e a "interferências estrangeiras", a retirada do acampamento pró-governo em Belgrado, a composição da lista estudantil, o prazo de 14 anos no poder e as irregularidades relatadas por observadores.

O ex-presidente sérvio Aleksandar Vucic reconheceu, na noite deste domingo (25), que seu Partido Progressista Sérvio (SNS) perdeu as eleições legislativas antecipadas para a lista estudantil. "Com base na amostra estratificada, está claro que perdemos a eleição", disse, em discurso na sede do partido, em Belgrado.
O resultado marca a saída de cena de um governo que dominava a política sérvia havia 14 anos, após quase dois anos de protestos contra a corrupção. A Sérvia é candidata a entrar na União Europeia, e a eleição foi acompanhada de perto pelo bloco.
Projeção dá maioria à lista estudantil
Vucic disse que os estudantes teriam entre 135 e 140 das 250 cadeiras do Parlamento, e o SNS, 105, com base em resultados preliminares. Ele afirmou que a Aliança dos Húngaros da Voivodina ficaria com três cadeiras e os albaneses com uma. Os números não são a composição oficial. A Comissão Eleitoral da República ainda não divulgou o resultado final.
Uma amostra representativa dos institutos CESID e IPSPS indicou 138 deputados para a lista estudantil e 104 para o SNS. Segundo Vucic, o SNS teve cerca de 1,72 milhão de votos, e a lista estudantil, 2,2 milhões.
A participação chegou perto de 70%, a mais alta desde a desintegração da Iugoslávia, em 1992. Logo após o anúncio, as ruas de Belgrado e de outras cidades se encheram de festa, e a multidão na capital chegou a dezenas de milhares de pessoas. Manifestantes retiraram cercas e barracas de um acampamento de apoiadores de Vucic, montado havia mais de um ano em um parque de Belgrado.
Vucic atribuiu a derrota à imprensa independente e a supostas interferências estrangeiras.
Da marquise de Novi Sad às urnas
A mobilização começou depois que 16 pessoas morreram, em 2024, quando a marquise da estação ferroviária de Novi Sad desabou. Os manifestantes atribuem a tragédia à corrupção e a irregularidades nas obras de reforma. As manifestações pediam, entre outras coisas, eleições antecipadas e responsabilização das autoridades.
Vucic convocou o pleito em setembro. Ele renunciou à Presidência e concorria ao cargo de primeiro-ministro. A lista estudantil reuniu candidatos da sociedade civil, entre eles especialistas, atletas, agricultores e artistas, sem uma figura de destaque. Ainda não há definição sobre quem comandará o novo governo.
Observadores internacionais falam na segunda
Vinte e quatro ONGs sérvias afirmaram que não houve condições para uma eleição "livre e justa". Observadores eleitorais relataram irregularidades na votação, como fotografias de cédulas e suspeitas de compra de votos. A campanha também teve denúncias de pressão sobre eleitores e de controle governamental da mídia.
Os estudantes montaram uma rede de voluntários para acompanhar a votação e complementar o trabalho dos observadores internacionais.
A missão de observação do Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR), chefiada por Eoghan Murphy, apresenta suas conclusões preliminares nesta segunda (26). A entrevista coletiva começa às 15h de Belgrado e terá transmissão ao vivo. O relatório final sobre todo o processo sai alguns meses depois do fim da eleição. A entrevista pode ser acompanhada no site do ODIHR (odihr.osce.org).
Atualização: a matéria incorporou a atribuição da derrota por Vucic à imprensa independente e a supostas interferências estrangeiras, a retirada do acampamento de apoiadores do governo em Belgrado, as comemorações em outras cidades, o perfil dos candidatos da lista estudantil, o tempo de 14 anos no poder e as irregularidades relatadas por observadores.
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