Virada à direita na região e 2º turno no Brasil preocupam participantes da COP17
Na conferência da ONU sobre biodiversidade, em Yerevan, ambientalistas e lideranças indígenas veem risco para a política climática da América Latina e para a Amazônia.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A COP17, conferência da ONU sobre biodiversidade, acontece em Yerevan, na Armênia. Participantes do encontro dizem temer que a ascensão da direita na América Latina enfraqueça a agenda climática da região. As atenções se voltam para o segundo turno da eleição presidencial brasileira, neste domingo (25), entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O resultado vale para todo o país, inclusive o Rio Grande do Sul. A política ambiental é federal, e os dois candidatos chegam ao segundo turno com planos diferentes para o tema.
O que dizem os planos de governo
Lula reafirma a meta de desmatamento zero até 2030. O plano do petista prevê ainda o fortalecimento do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica. A Mata Atlântica cobre parte do território gaúcho.
Flávio Bolsonaro menciona o tema uma única vez no plano de governo, com o termo "eventos climáticos extremos". O texto propõe fortalecer a Defesa Civil e construir reservatórios e canais de drenagem. O plano do candidato do PL também foca em transformar a conservação em ativo econômico.
Amazônia no menor nível da série
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou em 16 de outubro a estimativa do Prodes: 3.335 km² desmatados na Amazônia, o menor valor desde 1988, queda de 41,8% sobre os 5.731 km² do período anterior. O período vai de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026. O dado mede a Amazônia Legal e não inclui o desmatamento no RS.
No governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), a média anual foi de 11.403 km², com pico de 13.038 km² em 2021, segundo o Greenpeace Brasil. Para analistas ouvidos pela AFP, uma vitória de Flávio seria má notícia para os povos indígenas, já que ele diz que assumirá o legado do pai.
Marinete Tukano é coordenadora-geral da União de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira e mora em São Gabriel da Cachoeira (AM). Ela disse à AFP que um governo de extrema direita veria os territórios indígenas como lugar "para abrir e explorar". O Greenpeace avalia que a queda do desmatamento depende das escolhas do governo federal. "Colocaremos tudo em risco se tivermos um governo antiambiental novamente", afirmou Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero da ONG.
Região pode perder vozes ambiciosas
Camila Jardim, especialista em políticas do Greenpeace Brasil, disse à AFP que a América Latina pode deixar de ter alguns de seus principais defensores nas negociações. Ela citou a eleição de Javier Milei, na Argentina, de José Antonio Kast, no Chile, e a guinada recente da Colômbia.
A pesquisadora Juliette Landry, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI), afirmou que o bloco já foi muito ambicioso nas negociações. Para ela, o decisivo será o que vier depois da COP17. Landry também apontou dificuldades de financiamento se Flávio vencer e possíveis compromissos novos se Lula for reeleito. Segundo ela, os dois candidatos defendem a soberania nacional sobre os recursos naturais.
O vice-ministro colombiano do Meio Ambiente, David Olarte Amaya, disse à AFP que as preocupações sobre o país são exageradas. Perguntado se o governo de Abelardo de la Espriella, defensor do fracking, manterá a saída gradual dos combustíveis fósseis, respondeu que sim, "com uma abordagem realista".
O presidente da COP17, o armênio Hambardzum Matevosyan, afirmou à AFP ter trabalhado com a Colômbia como nação, e não com governos diferentes.
Serviço
O segundo turno da eleição presidencial acontece neste domingo (25), em todo o país. A COP17 segue em Yerevan, na Armênia, até 30 de outubro, com delegações de quase 200 países.
Perguntas frequentes
Quando acontece o segundo turno da eleição presidencial de 2026?
No domingo (25), em todo o país, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Até quando vai a COP17 em Yerevan?
Até 30 de outubro, com delegações de quase 200 países.
Quanto a Amazônia desmatou no último período do Prodes?
3.335 km², o menor valor desde 1988, queda de 41,8% em relação ao período anterior.
Saber mais
- Senado Notícias – Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno
- Agência Brasil – Planos de governo de Flávio e Lula para meio ambiente e clima
- Poder360 – Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado em 2026
- Greenpeace Brasil – Menor taxa de desmatamento da história da Amazônia
- Inpe – Brasil alcança menores taxas de desmatamento da série histórica
- COP17 Yerevan – Sobre a COP17
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