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Umidade e pouca luz ameaçam trigo em Passo Fundo; canola colhida rende 5 a 25 sacas/ha

Agrônomo aponta risco de giberela e septoria na reta final do trigo, e os tratamentos extras pesam no custo de quem planta.

Redação Bairrista · 12 de outubro de 2026 às 22:02 · 3 min de leitura

Ilustração: arte do Bairrista sobre a safra de trigo e canola no Planalto Médio do RS
Arte: Bairrista

A semana começa com muita umidade e pouco sol em Passo Fundo e região. As chuvas não são volumosas, mas aparecem com frequência, e isso preocupa quem espera uma boa safra de trigo. A canola já colhida entrega menos do que se esperava: entre 5 e 25 sacas por hectare, segundo o engenheiro agrônomo Claudio Doro.

Para o produtor do Planalto Médio, o recado é de gasto maior e margem menor. Quem fez mais tratamentos segurou a sanidade das plantas, mas pagou mais caro por isso. Na canola, parte da colheita deve servir só para cobrir as despesas da lavoura.

Doenças rondam a fase final do trigo

Doro falou sobre o assunto no domingo (11), no programa Cotações e Mercado, da Rádio Uirapuru. Ele explicou que a combinação de umidade elevada, baixa luminosidade e temperaturas amenas favorece doenças como giberela e septoria.

O risco é maior na última etapa do ciclo, quando as doenças podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos. Segundo o agrônomo, as lavouras estão de regulares a boas até agora, mas a sequência de dias úmidos começa a gerar dúvidas sobre o resultado final.

A giberela ataca na floração. Umidade alta depois do florescimento tende a aumentar o número de grãos giberelados e o acúmulo da micotoxina DON.

Em todo o RS, a Emater/RS-Ascar descreve um cenário parecido. No Informativo Conjuntural de 1º de outubro, 19% das lavouras de trigo estavam em floração, 57% em enchimento de grãos e 21% em maturação, com 1% já colhido. O desempenho segue bastante variável, por causa das intempéries e do nível de tecnologia empregado.

Na safra passada, as chuvas da virada de outubro para novembro pesaram. Elas reduziram massa e qualidade industrial dos grãos e elevaram a incidência de giberela. Mesmo assim, as maiores produtividades, acima de 3.500 kg/ha, ficaram em Caxias do Sul, Passo Fundo e Erechim.

Canola caiu de 30 sacas para até 25

Um mês atrás, as lavouras de canola da região tinham potencial para passar de 30 sacas por hectare. A chuva em excesso e o tempo fechado derrubaram essa conta.

Os números de campo que Doro acompanhou variam bastante:

  • Em Pontão, uma área atingida por granizo rendeu cerca de cinco sacas por hectare.
  • Outras lavouras ficaram entre 10 e 16 sacas.
  • A melhor produtividade que ele viu chegou a 22 sacas.
  • Quem colhe agora, em geral, não passa de 25 sacas por hectare.

Com o custo alto das operações agrícolas, em algumas áreas é preciso avaliar se compensa colher, considerando o gasto com as máquinas e o volume disponível.

A estimativa oficial para o estado é mais alta. A Emater/RS-Ascar calcula 353.397 hectares de canola no RS, com produtividade média de 1.619 kg/ha, o equivalente a cerca de 27 sacas de 60 quilos. Em setembro, a própria Emater já avisava que períodos longos de nebulosidade, umidade elevada e chuvas frequentes tendem a reduzir o potencial produtivo em algumas áreas.

Emater atualiza os números toda semana

A Emater/RS-Ascar atualiza o Informativo Conjuntural semanalmente, em geral às quintas-feiras, com a evolução da colheita da canola e do trigo por região.

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