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UICN alerta que 96% dos recifes de coral rasos correm risco de colapso até 2075

Primeira avaliação global do tipo analisou 127 ecorregiões e 188.362 km² de recifes em mais de 80 países e territórios.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Foto: UICN alerta que 96% dos recifes de coral rasos correm risco de colapso até 2075
Foto: Divulgação/iucn.org

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) informou nesta quinta (22) que 96% dos ecossistemas de recifes de coral rasos do planeta enfrentam risco "extremamente alto" de colapso até 2075. A causa é a mudança climática. A entidade classificou esses sistemas como "em perigo crítico", a categoria mais alta de ameaça, na primeira avaliação global desse tipo. Considerando só as mudanças já observadas, sem projeções futuras, o índice cai para 24%.

O Rio Grande do Sul não tem recifes tropicais rasos como os avaliados. A ligação com o gaúcho é climática e indireta: as emissões de gases de efeito estufa aquecem os oceanos, e é esse aquecimento que pressiona os corais. A avaliação também prevê efeitos sobre pesca, aquicultura e turismo costeiro. Nas fontes consultadas, não há estimativa para a costa do RS.

O que a avaliação mediu

O estudo abrange 127 ecorregiões tropicais e subtropicais e 188.362 km² de recifes, em mais de 80 países e territórios. Entre os sistemas classificados como em perigo crítico estão a Grande Barreira de Coral australiana, o Triângulo de Coral (no Pacífico Ocidental e Sudeste Asiático), o Sistema Recifal Mesoamericano e os recifes do Mar Vermelho.

Na avaliação, colapso não significa que todo coral some. Quando um recife colapsa, os corais duros desaparecem e dão lugar a algas, entulho e esponjas. O recife deixa de sustentar um ecossistema diverso. Segundo a UICN, os recifes das Galápagos ocidentais já constam como colapsados desde o El Niño de 1982-1983. A entidade também afirma que a proporção em perigo crítico seria ainda maior se não faltassem dados em quatro ecorregiões.

Calor lidera as ameaças, mas há recuperação

A UICN aponta o estresse térmico ligado à mudança climática como a ameaça mais constante aos recifes. Pesca excessiva, desenvolvimento costeiro, poluição e turismo também pesam.

Mishal Gudka, responsável científico da avaliação, disse que o resultado deve ser "um sinal de alerta, e não uma fonte de desesperança". Ele afirmou que os recifes já mostraram capacidade de se recuperar de branqueamentos devastadores e que bolsões resilientes podem sobreviver. Segundo a avaliação, os recifes ainda podem se recuperar se as pressões climáticas e locais diminuírem. Especialistas citam a redução de emissões, da poluição, da pesca excessiva e da ocupação costeira como caminhos para os corais sobreviverem.

Os dados completos da avaliação estão na Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN.

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