UE lança estratégia para o Ártico com mais vigilância por satélite e proteção de cabos
Documento da Comissão Europeia e da chefe da diplomacia do bloco prevê um centro para monitorar e ajudar a reparar cabos submarinos, mas não traz preço para as medidas.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A União Europeia apresentou nesta terça (20) uma nova estratégia para o Ártico, com a segurança como eixo central. O texto promete reforçar a vigilância por satélite, ampliar o monitoramento de cabos submarinos e ajudar os países do bloco a comprar quebra-gelos. O documento foi produzido pela Comissão Europeia e pela Alta Representante para Relações Exteriores, Kaja Kallas.
Para o leitor gaúcho, o efeito é indireto. O Ártico desperta interesse crescente de EUA, Rússia, China e Europa, porque o degelo abre novas rotas de navegação. Cabos submarinos carregam parte das comunicações entre continentes, e a proteção dessa infraestrutura entrou na pauta de segurança europeia.
Centro para cabos é o primeiro passo
Como primeira etapa, a UE planeja criar um centro do Ártico para monitorar, proteger e ajudar a reparar cabos. A estratégia também prevê um "centro de segurança marítima", para trocar informações entre os países-membros e parceiros, com dados "do fundo do mar ao espaço". Para acompanhar a região de perto, a UE pretende ampliar sua rede de observação por satélite Copernicus.
O bloco diz ainda que vai apoiar a conexão por cabo submarino do projeto Pan-Arctic Cable, que liga a Groenlândia diretamente à Europa. A Comissão afirma que trabalhará com os Estados-membros e parceiros do Ártico, de forma complementar à OTAN.
Quebra-gelos e disputa com a Rússia
O bloco, de 27 países, inclui os árticos Finlândia, Suécia e Dinamarca e precisa de mais quebra-gelos, diz a estratégia. O texto não indica quem compraria as embarcações. O documento não traz preço para as medidas e é a primeira atualização da estratégia europeia para o Ártico desde 2021.
Kallas afirmou que, com Rússia e China ampliando sua presença, o Ártico se tornou "uma linha de frente da disputa global de poder". A Rússia, por sua vez, acusa a OTAN de empurrar a região para a militarização.
O texto completo da estratégia e um resumo das quatro prioridades (segurança, clima, economia e pessoas) estão publicados no site da Comissão Europeia. No mês passado, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou € 200 milhões em investimentos da UE na Groenlândia.
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