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Trump retira máquinas e embalagens do Canadá da tarifa de 50% e põe válvulas e tapetes

A proclamação assinada na sexta (23) não cita o Maine, mas a senadora republicana Susan Collins atribui a si as isenções, a duas semanas da eleição.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Wide view of a commercial truck convoy waiting at a border crossing checkpoint under overcast daylight, with the United States flag flutteri
Ilustração: Bairrista

Na sexta (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma proclamação que tira alguns produtos canadenses da tarifa adicional de 50% da Seção 338 e inclui outros na lista. As mudanças entram em vigor em 30 de outubro. A medida sai duas semanas antes das eleições legislativas de 3 de novembro. Nelas, a republicana Susan Collins disputa a reeleição ao Senado pelo Maine, estado que faz fronteira com o Canadá.

Para o leitor gaúcho, o efeito é indireto. A tarifa incide sobre mercadorias canadenses que entram nos EUA, e o texto não menciona o Brasil nem exportadores do Rio Grande do Sul. Não há estimativa pública de impacto para setores gaúchos de máquinas, alimentos ou embalagens que concorrem com o Canadá no mercado americano. A mudança também não é só alívio: acrescenta tarifas sobre outros itens.

O que sai e o que entra na lista

Segundo a Casa Branca, saem da lista chapas de compensado, alguns produtos de papel, certas máquinas e equipamentos de refrigeração e determinadas caixas e embalagens. No lugar entram certas válvulas, tapetes, resíduos e outros itens.

Segundo a Casa Branca, as tarifas da Seção 338 valem para os produtos listados mesmo que eles cumpram as regras de origem do acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA). Elas se somam às tarifas da Seção 232. O governo americano não divulgou o valor total dos produtos que deixam a lista.

Entre os novos alvos, a lista inclui pós de cacau, aparelhos de ar-condicionado de janela, xampus, equipamentos de arco e flecha, e canoas com menos de 7,5 metros, além de tapetes e válvulas específicas.

Collins reivindica as isenções

Collins anunciou na sexta isenções para nove categorias de produtos usados por produtores de mirtilo, batata, maçã e algas do Maine. A senadora afirmou ter tratado do assunto com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e com o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Ela disse que muitos agricultores do estado dependem de equipamentos e embalagens canadenses que os fornecedores americanos não oferecem ou que só poderiam ser substituídos a custo alto.

O comunicado de Collins não menciona os itens acrescentados, e a ficha informativa da Casa Branca não cita o Maine. Questionada pela CNBC sobre o que a senadora havia combinado com a administração, a porta-voz Phoebe Keller respondeu que Collins pediu isenções para produtos importantes ao Maine e continuará pedindo.

O porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, disse à CNBC que a medida responde ao que o governo chama de discriminação e retaliação do Canadá contra o comércio americano. As fontes consultadas não trazem pesquisa ou análise independente sobre o efeito da medida na disputa no Maine.

Como chegou até aqui

Em 20 de julho, Trump assinou três proclamações com tarifa adicional de 50% sobre bens canadenses em resposta ao que chamou de tratamento discriminatório a produtos americanos. Segundo a Casa Branca, o Canadá deixou de lado um acordo quase pronto neste verão e impôs tarifas de retaliação sobre cerca de US$ 20 bilhões em exportações americanas. Em resposta, Trump assinou em 8 de setembro cinco proclamações que proíbem a entrada de certos produtos canadenses e alteram o alcance das tarifas.

As mudanças de sexta valem a partir das 0h01 (horário da costa leste dos EUA) de 30 de outubro, quatro dias antes da votação de 3 de novembro.

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