Trump propõe acabar com programa de grandes vazamentos de metano e prevê economia de US$ 45 bilhões
Proposta anunciada no Texas também flexibiliza regras para poços de baixa produção e volta a permitir a queima de gás associado; a consulta pública dura pelo menos 45 dias.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Lee Zeldin, anunciaram nesta terça (27), em Lubbock, no Texas, uma proposta de reescrita dos padrões de metano da era Biden para petróleo e gás. Ainda não é regra: o texto precisa passar por consulta pública antes de uma decisão final.
As mudanças valem para operações nos EUA. Para o Rio Grande do Sul, o efeito é indireto: alterações na oferta e nos custos do petróleo e do gás americanos podem mexer no mercado internacional de energia.
O que a EPA quer mudar
A proposta revisa as normas conhecidas como OOOOb e OOOOc, de 2024. Segundo a EPA, a proposta revoga o Super Emitter Program. O texto também restabelece a queima de gás associado com 95% de eficiência, em vez de exigir de forma geral uma linha de venda.
O programa de grandes vazamentos permitia que terceiros certificados usassem satélites, aviões e outros sensores remotos para apontar emissões. Os operadores notificados tinham de investigar os eventos e corrigir o problema. Vazamentos de pelo menos 100 quilos por hora podiam disparar o aviso à operadora. A EPA diz ter dúvidas jurídicas sobre o programa e não considerá-lo necessário para cumprir a Lei do Ar Limpo.
Para poços de baixa produção, a EPA propõe classificar os locais por nível de produção ou por tipo de recurso, convencional ou não convencional. Segundo o Grist, o texto também derruba os limites da era Biden para a queima rotineira e dá aos operadores 30 dias para reparar um vazamento.
Os números do governo
A EPA estima que a revisão economizaria US$ 45 bilhões. Também permitiria produzir cerca de 210 milhões de barris de petróleo e 1,41 trilhão de pés cúbicos de gás a mais. São projeções da própria agência. A EPA não detalhou publicamente a análise por trás do valor.
Ambientalistas criticam a flexibilização. O Grist lembra que a EPA calculava que a regra de 2024 evitaria 58 milhões de toneladas de metano nos 15 anos seguintes. A agência não divulgou estimativa do aumento de emissões causado por esta revisão.
Consulta pública e próximos passos
A EPA prevê pelo menos 45 dias de comentários públicos. O prazo começa a contar a partir da publicação no Federal Register. A agência também prevê uma audiência pública.
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