Três artistas pintam murais em bairro de El Salvador antes dominado pela MS-13
Patricia Vega, Marcela Alvarenga e Elizabeth Guardado cobrem grafites de gangue em San Marcos, a 10 km da capital, a convite do coletivo PigmenTrip.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Em um bairro de El Salvador onde a MS-13 marcava território com grafites, três salvadorenhas pintam pássaros, flores e paisagens. Patricia Vega, Marcela Alvarenga e Elizabeth Guardado trabalham na comunidade 10 de Outubro, em San Marcos, a cerca de 10 km de San Salvador. A reportagem da agência AFP foi divulgada nesta quinta (22), com imagens feitas em 2 de outubro.
As três são as primeiras mulheres a pintar as paredes do bairro. O convite partiu do PigmenTrip, coletivo que usa a arte urbana para transformar comunidades e promover inclusão social. O PigmenTrip também é um festival itinerante: o fundador e organizador, Isaac Sosa, de 31 anos, diz que o evento roda por El Salvador há oito anos. Mais de 200 murais já saíram dele, com artistas de Colômbia, México, Brasil, Peru e Argentina.
Do medo ao pincel
A 10 de Outubro tem casas humildes e ruas íngremes. Até poucos anos atrás, ninguém entrava ali sem permissão de um integrante de gangue. "Nunca na minha vida teria pensado em entrar aqui", diz Vega, de 30 anos. Ela lembra que as mulheres eram alvo de violência machista dos integrantes das gangues e que cresceu ouvindo dos pais quais lugares evitar.
Guardado cobre com tinta verde uma parede onde ainda se lia "Hollywood", célula da MS-13 que dominava a comunidade. A moradora da casa comemorou discretamente o fim de um símbolo da violência. Alvarenga, de 27 anos, pinta uma menina ensinando outra a desenhar losangos coloridos. Quer mostrar às meninas que "há mulheres lá fora fazendo mais".
Segundo a AFP, vários moradores pararam para admirar os murais, mas se recusaram a falar por medo de supostos remanescentes das gangues, que, segundo eles, ainda existem.
O que mudou no país
A MS-13 e a Barrio 18 controlavam 80% do território salvadorenho, segundo dado oficial, mas foram desmanteladas na ofensiva iniciada pelo presidente Nayib Bukele em 2022. ONGs apontam graves violações de direitos humanos nessa ofensiva. A comunidade 10 de Outubro foi cercada em 2024, em operação que terminou com centenas de prisões, segundo a AFP.
Em 7 de outubro, a Human Rights Watch afirmou que desde o início de 2026 os tribunais salvadorenhos fazem julgamentos coletivos de centenas de acusados. Segundo a ONG, as condenações se apoiam em provas frágeis, sem chance real de defesa. Os réus foram presos sob o regime de exceção, em vigor há mais de quatro anos.
Hoje, militares e policiais patrulham o bairro e, muitas vezes, param para observar as pinturas, segundo a AFP.
Saber mais
Leia também
Pacientes de Frederico Westphalen faltam a 220 consultas especializadas em Tenente Portela

Autoridade finlandesa pede à polícia investigar Google por desmate para centro de dados

Vídeo de socorrista do Samu mostra ambulância sem passagem na RS-734 e viraliza

Justiça do Novo México manda Meta pagar US$ 25 bilhões por enganar usuários do Facebook

Mais lidas
1Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco2Adolescente de 16 anos cai do 3º pavimento de shopping em Caxias e está em estado grave3Falhas críticas no PHP tiram sites do ar pelo mundo; correção está nas versões 8.2 a 8.54Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio e inelegibilidade por 8 anos5Flávio impõe condições para abrir sigilos; campanha de Lula diz aceitar todas