Autoridade finlandesa pede à polícia investigar Google por desmate para centro de dados
A LVV também exige plano de gestão da água e licença ambiental para Muhos, onde 330 hectares de floresta foram derrubados ou preparados.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) pediu à polícia que investigue o projeto de centro de dados do Google em Muhos, no norte da Finlândia. A empresa também terá de apresentar planos mais detalhados e pedir licença pela lei das águas. O jornal finlandês Kaleva informou que a polícia de Oulu já tinha recebido dois pedidos de investigação sobre o projeto.
A LVV não comentou o caso. Segundo o Kaleva, a autoridade alegou que o assunto é sigiloso pela lei de acesso à informação.
Obras param até a conclusão das avaliações
O pedido à polícia vem depois da ordem de 6 de outubro. A LVV mandou a subsidiária Tuike Finland Oy suspender, o quanto antes e no máximo até 23 de outubro, os trabalhos que alterem de forma significativa o ambiente em Muhos e Kajaani. A suspensão vale até o fim da avaliação de impacto ambiental dos dois projetos.
A ordem alcança remoção de árvores e do solo superficial, estradas de serviço e áreas de armazenamento. Planejamento, medições e levantamentos de solo ficam de fora. Em Muhos, a empresa informou que cerca de 330 hectares foram derrubados ou preparados. Em Kajaani-Otanmäki, a área foi de pouco menos de 200 hectares. A LVV espera que os relatórios de avaliação dos dois projetos fiquem prontos em 2026.
A LVV também avisou o que pode vir. Se a Tuike não cumprir as notificações, a autoridade avaliará medidas administrativas de execução.
Google pede desculpas e promete plantar 130 hectares
O diretor do Google na Finlândia, Antti Järvinen, pediu desculpas pelo desmatamento. Ele disse que as decisões foram tomadas com base no melhor entendimento da legislação na época. A empresa diz que pretende plantar árvores em 130 hectares em Muhos.
As estimativas apontam cerca de 250 mil árvores derrubadas em Muhos. Para Otanmäki, a ecóloga Mari Annala, da Sociedade Finlandesa para a Proteção da Natureza (SLL), calcula outras 150 mil. O projeto faz parte de um plano de € 13 bilhões do Google no país.
O administrador municipal de Muhos, Kimmo Hinno, afirmou que a fiscalização falhou e que todas as autoridades, assim como o Google, devem examinar o próprio papel. Uma petição pedindo regras mais rígidas para centros de dados reúne mais de 93 mil assinaturas. O diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente, Veli-Matti Uski, disse que o governo acompanha o setor e está preparado para propor mudanças na lei, se for preciso.
A suspensão das atividades de maior impacto precisa estar em vigor até sexta (23). Ela segue até a conclusão das avaliações de impacto ambiental, prevista para este ano.
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