Tradings retomam compra de arroz a R$ 90 a saca no RS; Safras fecha semana a R$ 84,05
Compras para exportação voltam após pausa ligada ao dólar, mas o indicador Safras fica estável na semana, 47,09% acima de um ano antes, e o plantio atrasa no Litoral Norte e na Zona Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 4 min de leitura
Atualizada 24/10, 00:49 · O Indicador Safras do arroz em casca no RS fechou a semana a R$ 84,05 por saca, estável ante a anterior, com alta de 1,22% no mês e de 47,09% sobre um ano antes.

Três tradings voltaram a comprar arroz para exportação no Rio Grande do Sul, pagando em média R$ 90 por saca, segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes. A retomada veio após uma pausa nas negociações associada à oscilação do dólar.
Para o produtor, o valor fica acima do indicador Cepea/Irga-RS, que marcou R$ 82,03 por saca de 50 quilos em 20 de outubro, com queda acumulada de 0,94% no mês. O preço de R$ 90 coincide com o teto do custo de produção apontado pelo Irga. Segundo o Cepea, em análise de 22 de outubro, as compras da exportação sustentam apenas alguns lotes de arroz em casca, sobretudo de grãos de menor rendimento. A demanda interna segue lenta.
Indicador Safras fecha a semana a R$ 84,05
O Indicador Safras do arroz em casca no RS encerrou a semana a R$ 84,05 por saca, para grãos inteiros de 58% a 62% e pagamento à vista. O valor ficou estável ante a semana anterior e subiu 1,22% no mês. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta é de 47,09%, segundo a Safras & Mercado. A circulação de negócios segue limitada, o que indica cautela na comercialização.
Preço de referência fica entre R$ 80 e R$ 82
O arroz em casca deve ficar entre R$ 80 e R$ 82 a saca no Rio Grande do Sul no curto prazo, segundo projeção da Safras & Mercado divulgada na sexta (16). Na Fronteira Oeste, os preços permanecem nessa faixa, enquanto o porto mantém indicações próximas de R$ 90 por saca em determinadas operações.
Conforme o levantamento mais recente do Irga, os gastos podem chegar a R$ 90 por saca no RS. O analista Evandro Oliveira, da Safras, afirma que o valor não vale para todas as propriedades, mas mostra que R$ 80 a R$ 82 cobrem operações sem assegurar remuneração integral.
Retenção sustenta a cotação
A estabilidade vem do freio nas vendas. Produtores capitalizados evitam ampliar as ofertas, e parte dos vendedores comercializa apenas o necessário para financiar a safra 2026/27. Oliveira disse em agosto que há estoque, mas parte permanece fora do mercado à espera de remuneração superior.
Em setembro, a cotação avançou 6,18% sobre agosto e 41,65% sobre o mesmo mês de 2025. Mesmo assim, o ritmo diminuiu: a recuperação que levou o preço de menos de R$ 60 para mais de R$ 80 perdeu velocidade, mas ainda não virou reversão de baixa.
Dólar ajuda, mas falta contrato
O câmbio melhorou um pouco a paridade de exportação. Segundo Oliveira, a combinação melhora a capacidade potencial de pagamento dos exportadores, mas ainda precisa virar contratos, originação e novos embarques. A volta das três tradings ao mercado é um primeiro sinal nessa direção.
Do lado da indústria, o Cepea aponta que a procura por arroz beneficiado continua limitada. Parte dos compradores está abastecida e evita elevar ofertas, o que reduz o poder de negociação do produtor.
Para o curto prazo, a Safras vê estabilidade. Uma nova alta depende de recuperação do câmbio, de Chicago preservar os níveis atuais, de melhora na exportação e de mercado interno mais aquecido. No sentido contrário, a falta de novos contratos, as importações elevadas e a necessidade de caixa podem ampliar a oferta. O avanço satisfatório da safra também limita a valorização.
Plantio avança, puxado pela Fronteira Oeste
Levantamento do Irga atualizado em 15 de outubro mostra 317.405,47 hectares semeados, o equivalente a 36,83% da intenção de plantio de 861.778,96 hectares. A Fronteira Oeste lidera, com 163.165 hectares semeados, 65,9% da expectativa regional. A Zona Sul vem em seguida, com 62,19%.
O plantio também enfrenta atrasos em regiões como Litoral Norte, Zona Sul, Pelotas e Rio Grande.
A área prevista para a safra é menor que a da anterior. A intenção de semeadura de 861,8 mil hectares é 3,4% menor que os 891,9 mil cultivados na temporada passada. Na Fronteira Oeste, a previsão é de recuo de 3,7%, para 247.595 hectares. O Irga já esperava área menor, por causa dos preços baixos, dos estoques de passagem e da dificuldade de crédito.
O Irga atualiza o levantamento da semeadura periodicamente, com dados das equipes regionais consolidados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural. A próxima atualização mostra quanto da área da Campanha e da Região Central, ainda abaixo de 11%, entrou no ritmo da Fronteira Oeste.
Atualização: o fechamento semanal do Indicador Safras entrou no texto: R$ 84,05 por saca de arroz em casca, estável na semana, com alta de 1,22% no mês e de 47,09% sobre um ano antes. O título e a linha fina foram ajustados.
Perguntas frequentes
Quanto está o preço da saca de arroz no RS?
O indicador Safras fechou a semana a R$ 84,05 por saca de arroz em casca, estável na semana e 1,22% acima do mês anterior.
Quanto as tradings estão pagando pelo arroz?
Três tradings voltaram a comprar para exportação pagando em média R$ 90 por saca, segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes.
Qual a área de arroz semeada no RS?
Até 15 de outubro, o Irga registrou 317.405,47 hectares semeados, equivalentes a 36,83% da intenção de plantio.
Saber mais: fontes consultadas (12)
- Safras & Mercado (boletim de 16 de outubro de 2026)
- Safras & Mercado (intenção de semeadura, dados do Irga)
- Irga (levantamento da semeadura em 15 de outubro)
- Safras & Mercado (Indicador de setembro)
- Safras & Mercado (análise de 28 de agosto de 2026)
- Safras & Mercado (análise sobre recuperação dos preços)
- Portal do Agronegócio
- Spacemoney (dados do Irga sobre semeadura)
- Acústica FM
- Globo Rural
- Itatiaia
- Correio do Povo
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