Qualidade do lote define preço do trigo no RS, e a Argentina segura alta geral
Com a colheita em 34% da área, a Emater/RS-Ascar registra queda de peso hectolítrico e grãos avariados, e a TF Agroeconômica vê Chicago entre US$ 5,20 e US$ 6,00 por bushel.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Segundo a TF Agroeconômica, o trigo gaúcho que atende à moagem pode ser mais valorizado que o lote comum, mas a concorrência do cereal argentino impede uma alta para todos. É o que indica análise divulgada em 2 de novembro pela consultoria TF Agroeconômica. Segundo ela, a referência de suporte de preço no Rio Grande do Sul vem sendo testada com mais frequência. Em Chicago, o suporte está perto de US$ 5,20 por bushel e a resistência, em torno de US$ 6,00.
Na prática, a qualidade do lote pesa na venda, e os números da safra gaúcha mostram o tamanho do problema.

Colheita avança com qualidade desigual
A colheita do trigo chegou a 34% dos 763.121 hectares cultivados no Rio Grande do Sul, e outros 44% das lavouras estão maduras e aptas à colheita, conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar de quinta-feira (29). O avanço dos trabalhos foi prejudicado pelas chuvas frequentes, pela umidade do solo e pela baixa radiação solar.

Os resultados já registrados mostram grande variação de produtividade entre as regiões, e em parte delas os números ficam abaixo da projeção inicial de 2.833 quilos por hectare. Nas áreas mais afetadas, houve redução do peso hectolitro (PH), além de grãos ardidos, germinados e danificados.
Indústria recebe grãos fora do padrão
No informativo de 22 de outubro, a Emater/RS-Ascar já apontava o problema. Mesmo entre as cargas recebidas pela indústria, os índices de germinação e o tamanho dos grãos ficaram abaixo do desejado, e os teores de DON, micotoxina produzida por fungos do gênero Fusarium, estão acima do adequado. A produtividade segue satisfatória em geral, mas as chuvas frequentes e a baixa luminosidade afetaram a qualidade tecnológica.
Em parte das lavouras, foi feita a dessecação para uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.
Safra menor, área menor
A Emater/RS-Ascar estima produção de 2,16 milhões de toneladas em 2026. A área de 763.121 hectares representa queda de 34,56% sobre os 1.166.163 hectares de 2025.
Com menos grão de padrão para moagem, os lotes que mantêm PH, sanidade e baixo DON ganham espaço na negociação. Esse prêmio, porém, tem teto: o trigo argentino disputa o mesmo mercado e limita ganhos generalizados, segundo a TF Agroeconômica. Quem tem lote fora do padrão tende a ficar mais perto do piso de referência.
A Emater/RS-Ascar deve divulgar novos dados de colheita e qualidade no próximo informativo.
Perguntas frequentes
A qualidade do trigo gaúcho muda o preço que o produtor recebe?
Sim. Lotes que mantêm peso hectolítrico, sanidade e baixo DON ganham espaço na negociação, enquanto lotes fora do padrão tendem a ficar mais perto do piso de referência.
Qual é a faixa de preço de referência do trigo em Chicago?
Segundo a TF Agroeconômica, o suporte está perto de US$ 5,20 por bushel e a resistência em torno de US$ 6,00.
Quando a Emater divulga novos dados da colheita do trigo?
A Emater/RS-Ascar deve divulgar novos dados de colheita e qualidade no próximo informativo.
Por que a safra gaúcha de trigo está menor em 2026?
A área de 763.121 hectares representa queda de 34,56% sobre os 1.166.163 hectares de 2025, e a produção estimada é de 2,16 milhões de toneladas.
Saber mais: fontes consultadas (4)
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