Tesouro projeta dívida bruta de 89,7% do PIB em 2030 e até 103,4% no cenário adverso
Relatório de Riscos Fiscais da União indica que os juros são o principal motor da alta e simula um cenário favorável, com recuo a 71,3% do PIB.
Por que afeta o RS: Pressão sobre juros e transferências federais pode reduzir recursos para serviços e investimentos no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) projeta que a dívida bruta do governo geral chegue a 89,7% do PIB em 2030, no cenário central. A estimativa consta no Relatório de Riscos Fiscais da União, divulgado na terça-feira (3) pelo Tesouro Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. No cenário adverso, o indicador chega a 103,4% do PIB. No mais favorável, cai a 71,3%.
A dívida bruta do governo geral reúne os débitos do governo federal, do INSS e de estados e municípios, o que inclui o endividamento do Rio Grande do Sul.
Juros puxam a alta até 2030
O Tesouro estima que a dívida bruta feche 2026 em 83,7% do PIB, alta de 5,1 pontos percentuais sobre os 78,6% registrados ao final de 2025. A relação deve subir para 86,5% em 2027, 88,4% em 2028 e 89,6% em 2029, atingindo o pico em 2030. Depois, a dívida recua lentamente, até 86,3% em 2036, último ano da projeção.
Os juros explicam o movimento. Entre 2026 e 2030, a taxa de juros deve acrescentar cerca de 8,4 pontos percentuais do PIB ao ano ao estoque da dívida, enquanto o crescimento nominal da economia reduz essa relação em 6,0 pontos.
A trajetória atual é pior que as anteriores. Em abril, o projeto da LDO de 2027 previa pico de 87,8% do PIB em 2029. O relatório de projeções do Tesouro, de 30 de junho, previa 83,5% do PIB em 2026.
Cenário adverso passa de 100% em 2033
No extremo oposto, a combinação de déficits prolongados, juros altos e baixo crescimento poderia elevar o endividamento para 103,4% do PIB. Nessa combinação, a dívida chegaria a 96,3% do PIB em 2030, superaria os 100% em 2033 e atingiria 103,4% em 2036.
Em cenários otimistas, com melhora fiscal e juros menores, a dívida poderia recuar para 71,3% do PIB. O Tesouro afirma que a redução sustentada do endividamento depende de reformas para ajuste nas contas públicas.
Outra simulação mostra o efeito do esforço fiscal. Se o governo elevar o resultado das contas para um superávit de 0,5% do PIB ao longo de 10 anos, a dívida cairia de 86,3% para 81,1% do PIB.
O relatório também lista riscos do lado do gasto. O estoque de ações contra a União com risco de perda somava R$ 2,19 trilhões em junho.
Para 2027, a projeção do Tesouro é de dívida em 86,5% do PIB, ainda em alta, no primeiro ano do próximo mandato presidencial.
Perguntas frequentes
A dívida pública vai subir nos próximos anos?
Sim. No cenário central, a dívida bruta sobe de 78,6% do PIB em 2025 para 89,7% em 2030, o pico da série.
Qual é o principal motivo da alta da dívida?
Os juros. Entre 2026 e 2030, a taxa de juros deve acrescentar cerca de 8,4 pontos percentuais do PIB ao ano ao estoque da dívida.
O que acontece no cenário adverso?
A dívida pode superar 100% do PIB em 2033 e chegar a 103,4% em 2036, com déficits prolongados, juros altos e baixo crescimento.
Qual é a projeção para 2027?
O Tesouro projeta dívida de 86,5% do PIB em 2027, ainda em alta, no primeiro ano do próximo mandato presidencial.
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