SMMU diz que plano cicloviário de Porto Alegre não terá revisão ampla em 2026
Capital soma 95,33 km de ciclovias, e a ciclovia da Av. Ipiranga ainda depende de nova licitação do Dmae para ser recuperada após as cheias.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) afirmou nesta quarta (21) que o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI), de 2009, não passará por uma grande revisão em 2026. A prefeitura pretendia, desde o fim do ano passado, contratar consultoria para revisar o plano. Porto Alegre tem 95,33 km de infraestrutura para a mobilidade ativa, menos de 20% dos 495 km previstos no plano.
A expansão das ciclovias segue pelas regras do plano atual. O coordenador de Mobilidade Ativa da SMMU, João Paulo Cardoso Joaquim, disse que o avanço da rede não depende da revisão. Para ele, o que cabe discutir é o traçado dos caminhos, e isso não exige reforma completa. "O plano não é de metas, mas de diretrizes", afirmou.
Prefeitura previa consultoria e revisão em até nove meses
A prefeitura pretendia contratar uma consultoria, possivelmente no primeiro semestre de 2026, para revisar o PDCI em seis a nove meses. Em junho, no Dia Mundial da Bicicleta, a SMMU informou que trabalhava na revisão do plano, com foco na conexão das estruturas existentes e na integração da malha.
Joaquim disse que a rede ganhou eficiência com o uso de dados de deslocamentos de bicicletas e patinetes compartilhadas, algo que não existia em 2009. Esses dados permitem concentrar obras onde mais gente circula.
Rede cresceu 2 km em 2025, ritmo mais baixo em cinco anos
Entre 2021 e 2025, a prefeitura implantou 33,38 km de ciclovias. O ritmo, porém, caiu no último ano. Em 2025, pouco mais de dois quilômetros foram adicionados à malha, segundo dados da EPTC. O plano original previa 495 km de vias com ciclovias ou ciclofaixas.
A malha também é desigual. A maior parte fica na área central, com trechos esparsos nas demais zonas. Um dos mais recentes é o da Av. Wenceslau Escobar, na zona sul, concluído em dezembro, com 1,5 km, depois de um ano de obra. Em outros pontos, os ciclistas enfrentam pavimento danificado e sinalização gasta. Em 2025, a EPTC registrou o ano mais violento para ciclistas desde 2015.
A prefeitura não informou o orçamento previsto para manutenção e expansão das ciclovias em 2026 e 2027.
Ipiranga: talude avança, ciclovia espera
O trecho da Av. Ipiranga junto ao Arroio Dilúvio foi atingido pelas cheias de 2023 e 2024, que derrubaram partes do talude. No dia 29 de setembro, o Dmae concluiu a reconstrução de mais quatro trechos, perto da rua Professor Cristiano Fischer. As obras começaram em abril e custaram R$ 2,6 milhões. Com isso, sobe para sete o número de trechos já reconstruídos.
O talude vem antes do pavimento. O Dmae explicou, em 2025, que o conserto da estrutura precisa vir antes da melhoria da ciclovia, interditada nos pontos frágeis. Para os trechos que faltam, o Dmae vai publicar edital para contratar empresa especializada em recuperação de arroios, canais e taludes, com investimento previsto de mais de R$ 30 milhões, em parte financiado pela Caixa. O contrato prevê reconstrução gradual, para recuperar a estrutura e a ciclovia com o menor impacto possível no trânsito.
A SMMU e a EPTC vão implantar sinalização na ciclovia para que os ciclistas possam voltar a circular nos trechos antes bloqueados. Ainda não há prazo definido para o início de novas obras na Av. Ipiranga.
Perguntas frequentes
Quantos quilômetros de ciclovias Porto Alegre tem?
A capital tem 95,33 km de infraestrutura para a mobilidade ativa, menos de 20% dos 495 km previstos no plano de 2009.
Quando a ciclovia da Av. Ipiranga será recuperada?
Ainda não há prazo definido; o Dmae vai publicar edital para contratar empresa para recuperar os taludes restantes, com investimento previsto de mais de R$ 30 milhões.
Saber mais
- SMMU - Infraestrutura Cicloviária
- SMMU - Dia Mundial da Bicicleta em Porto Alegre
- Dmae - Conclusão da reconstrução de mais quatro trechos do talude do Arroio Dilúvio
- Dmae - Início das obras no talude do Arroio Dilúvio
- EPTC/PMPA - Relatório final do PDCI (2008)
- Sul21 - Ciclovia da Wenceslau Escobar (dados da prefeitura)
- Sul21 - Audiência na Câmara (dados da EPTC)
- Matinal - Ampliação em 2025 (dados da EPTC)
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