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Ataque de drone a mercado em Abyei mata ao menos 153; autoridades falam em 226

Sudão do Sul acusa o exército sudanês, que alega ter mirado combustível de grupo paramilitar; a ONU condena e ainda verifica o total de vítimas.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Foto: Ataque de drone a mercado em Abyei mata ao menos 153; autoridades falam em 226
Foto: Sudan Envoy / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Um ataque de drone ao mercado de Amiet, em Abyei, região disputada por Sudão e Sudão do Sul, atingiu um depósito de combustível e matou ao menos 153 pessoas. O incêndio ainda ardia na terça (20). O ataque começou por volta das 11h de segunda-feira (19), a cerca de 10 quilômetros da cidade de Abyei.

O número deve subir. Segundo o ministro interino da Informação de Abyei, Yohana Akol Ngor, em entrevista à Eye Radio, 153 vítimas foram enterradas em uma vala comum e outras 73 em uma segunda, o que leva o total a 226. Mais de 8 mil pessoas fugiram da região ao norte de Abyei.

Exército sudanês diz que alvo era combustível

Ngor responsabilizou o Sudão pelo ataque. Um oficial sênior do exército sudanês afirmou que a operação mirou caminhões de combustível vindos do Sudão do Sul e destinados às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar. Ele disse à agência Associated Press que os mortos eram integrantes da RSF e pessoas ligadas ao contrabando de combustível.

Três fontes diplomáticas, um trabalhador humanitário e um especialista disseram à Reuters que o depósito foi atingido. As fontes diplomáticas afirmaram que a RSF já o usou para abastecer suas forças. Ngor nega a presença da RSF em Abyei. Testemunhas disseram que não havia combatentes da RSF no mercado na hora do ataque.

ONU condena e Sudão do Sul convoca embaixador

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques de 19 de outubro, que mataram dezenas de civis, entre eles mulheres e crianças, e feriram muitos outros. Ele afirmou que o total deve aumentar enquanto a força de paz da ONU em Abyei (Unisfa) verifica as vítimas, com muitos desaparecidos. A Unisfa enviou equipes médicas, bombeiros e forças de reação rápida ao local. Os Médicos Sem Fronteiras atendem mais de 20 feridos, entre eles vítimas de queimaduras.

Abyei é rica em petróleo. O território é disputado por Sudão e Sudão do Sul desde a separação dos dois países, em 2011. O acordo de paz de 2005, que encerrou décadas de guerra civil, não definiu a quem a região pertence. A independência sul-sudanesa, seis anos depois, também não resolveu a questão.

O Ministério das Relações Exteriores do Sudão do Sul convocou o embaixador sudanês para apresentar protesto. O governo de Cartum ainda não reagiu publicamente às acusações das autoridades de Abyei.

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