Rio Grande monta central de óleo de cozinha usado para abastecer biorrefinaria de SAF
Parceria entre Refinaria Riograndense, Furg e prefeitura quer incluir cooperativas de catadores na cadeia do combustível sustentável de aviação; planta prevê operar em 2029.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A Refinaria Riograndense, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Prefeitura de Rio Grande estruturam uma central municipal para recolher óleo de cozinha usado. O objetivo é transformar o resíduo em matéria-prima para o combustível sustentável de aviação, o SAF.
Para quem vive em Rio Grande, a ideia é dar destino ao óleo usado e incluir cooperativas de catadores no fornecimento. A proposta prevê a participação da universidade e das cooperativas, ligando reaproveitamento de resíduos, geração de renda e inclusão social.
Quem faz o quê
O andamento do piloto foi discutido em reunião entre a prefeita Darlene Pereira, professores da Furg, a gerência de Novos Negócios da refinaria e a Secretaria de Serviços Urbanos. A prefeitura deve estruturar a central de recebimento e armazenamento. A refinaria será o destino final do óleo.
A Furg fará levantamento de dados e análises de mercado. Também fará o diagnóstico das cooperativas interessadas, com foco em estrutura, licenças e adequações necessárias. Com isso, a universidade deve desenvolver um modelo de negócio para inserir as cooperativas no fornecimento de óleo usado. Os custos da central e a divisão de despesas entre os parceiros não foram divulgados.
O gerente de Novos Negócios da refinaria, João Luís Bulla, afirma que o óleo precisa de rastreabilidade e certificação internacional para virar combustível de aviação. Segundo ele, a matéria-prima deve atender a critérios internacionais de sustentabilidade e certificação. Bulla estima que o Brasil consuma entre 4,5 milhões e 4,7 milhões de toneladas de óleo por ano na alimentação e que seja possível recuperar cerca de 1 milhão de tonelada para uso industrial.
A central poderá servir de modelo para outras cidades do Estado e do país.
Óleo usado será parte da carga
A biorrefinaria completa deve processar 800 mil toneladas por ano de matéria-prima renovável, entre óleos vegetais, gorduras animais e óleo de cozinha usado. O óleo usado será apenas parte da carga, ao lado de insumos como o óleo de canola e outras culturas agrícolas.
Aval dos acionistas ainda não saiu
A implantação depende da decisão de investimento da nova fase. A refinaria aguarda a aprovação de Petrobras, Braskem e Ultrapar para um investimento estimado em R$ 6 bilhões. O projeto pode ser analisado na reunião mensal dos acionistas no fim de outubro.
O diretor de biorrefino da refinaria, Flávio Mingorance de Souza, informou que já foram investidos cerca de R$ 120 milhões em estudos de engenharia, consultorias e desenvolvimento do projeto. Com o sinal verde, as obras começariam antes do fim do ano, e a operação está prevista para 2029.
A refinaria espera estruturar a cadeia de fornecimento ao longo de 2027 e 2028, para atender à demanda da nova planta.
Perguntas frequentes
Quem vai administrar a central de óleo usado em Rio Grande?
A prefeitura deve estruturar a central de recebimento e armazenamento, e a refinaria será o destino final do óleo.
Quando a biorrefinaria em Rio Grande deve começar a operar?
A operação está prevista para 2029, condicionada à aprovação do investimento de cerca de R$ 6 bilhões pelos acionistas.
Quanto óleo de cozinha usado a biorrefinaria processará?
A biorrefinaria completa deve processar 800 mil toneladas por ano de matéria-prima renovável, da qual o óleo usado será apenas parte.
Saber mais
- Jornal Tradição – Prefeitura, Refinaria e Furg discutem projeto-piloto de óleo de cozinha (UCO)
- O Litorâneo – Rio Grande debate projeto que transforma óleo de cozinha usado em combustível para aviões
- Canaoeste – Biorrefinaria de R$ 6 bilhões aguarda aval de acionistas no RS
- Jornal do Comércio – Deliberação sobre transformação de complexo de Rio Grande em biorrefinaria ocorre em outubro
- Rádio Cultura Zona Sul – Refinaria Riograndense avança no projeto de biorrefinaria
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