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Réu do caso Paula Perin Portes nega crime no júri e diz ter sido agredido por policiais

João Albino Abegg dos Santos relatou aos jurados socos, um dente quebrado e pressão para apontar outro acusado; o veredito pode sair na noite desta quinta (22) ou na sexta (23).

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

Foto: Réu do caso Paula Perin Portes nega crime no júri e diz ter sido agredido por policiais
Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

O réu João Albino Abegg dos Santos negou, no interrogatório desta quarta (21), qualquer participação na morte de Paula Perin Portes. Ele disse aos jurados, em Soledade, que sofreu agressões e pressão de policiais civis durante a investigação. A fala foi na Câmara de Vereadores, onde o Tribunal do Júri julga quatro acusados pelo crime de junho de 2020.

Quadro: Réu do caso Paula Perin Portes nega crime no júri e diz ter sido agredido por policiais
Ficha de serviço · Bairrista

Os debates entre acusação e defesa estão previstos para quinta (22), e o veredito pode sair à noite ou na sexta (23). O relato de João é a versão da defesa e será confrontado com as demais provas do processo. A Polícia Civil não se manifestou sobre as acusações até a publicação desta matéria.

O que João contou aos jurados

João afirmou que nunca havia sido preso nem entrado em uma delegacia antes da investigação. Segundo ele, o contato com a Polícia Civil começou quando agentes foram à sua casa e o convidaram a depor. Antes da delegacia, disse, foi levado a uma antiga propriedade rural onde sua família havia morado.

Ele afirmou que os policiais suspeitavam que o corpo de Paula estivesse enterrado ali. Na propriedade, disse ter sofrido agressões físicas e pressão para dar informações. Relatou socos nas costelas e um dente quebrado. Na delegacia, segundo o réu, a pressão continuou: ele foi fotografado, teve a altura registrada e recebeu ordem para tirar a camiseta.

João ficou 13 dias preso. Na prisão, disse ter conhecido Maicon Mengel de Souza, que também foi preso e depois passou à condição de testemunha. Contou que policiais foram ao presídio e lhe fizeram propostas de colaboração premiada. Pela versão dele, o objetivo era fazê-lo apontar Dionatan Portella da Silva, também réu, como responsável pelo crime.

Em outro episódio, João disse ter sido levado do presídio de volta à delegacia. Os policiais, afirmou, não deixaram seus advogados entrar de início. Ele relatou ter ficado de uma hora e meia a duas horas sob pressão até a chegada dos defensores. Nesse período, segundo ele, ouviu que "ia sobrar tudo" para ele e que o réu Gesriel da Cunha Wedy o havia acusado.

Defesa fala em falta de provas

O advogado José Paulo Schneider, de Passo Fundo, sustenta que não há provas suficientes de que João estivesse no local do crime ou tenha participado da morte. Schneider afirmou antes do interrogatório que pretende demonstrar a inocência do cliente pelas fragilidades que enxerga na acusação.

Na quarta, a defesa também questionou a investigação durante os depoimentos. Um policial civil disse que não houve histórico de localização dos celulares e que não houve quebra de sigilo nem interceptação em relação a João. Mesmo assim, afirmou que a investigação reuniu elementos suficientes para a Polícia Civil ter certeza sobre a autoria.

A acusação e o julgamento

Segundo a denúncia do Ministério Público do RS, Paula foi morta por asfixia na madrugada de 11 de junho de 2020, em um imóvel no bairro Fontes, em Soledade. O corpo foi encontrado em 16 de agosto daquele ano, em Rincão do Bugre.

Gesriel da Cunha Wedy, Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino respondem por homicídio qualificado por asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. Um dos réus também responde por ocultação de cadáver. Para o homicídio qualificado, a pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão. A responsabilidade de cada réu será analisada por sete jurados.

Serviço

O júri segue nesta quinta (22) na Câmara de Vereadores de Soledade, com os debates entre acusação e defesa. O juiz José Pedro Guimarães espera ter o veredito no fim da noite, com ajuste possível no cronograma. A Prefeitura de Soledade informou fechamento parcial de vias no entorno do Largo da Matriz até sexta (23), diariamente das 7h às 20h.

Perguntas frequentes

Quando sai o veredito do júri do caso Paula Perin Portes?

Pode sair na noite desta quinta (22) ou na sexta (23), segundo o juiz José Pedro Guimarães, com ajuste possível no cronograma.

Onde acontece o júri do caso Paula Perin Portes?

Na Câmara de Vereadores de Soledade, com os debates previstos para quinta (22).

Quantos acusados são julgados e qual a pena prevista para homicídio qualificado?

Quatro acusados; para homicídio qualificado a pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão.

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