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PF encontra sala oculta com máquina de contar dinheiro em hangar de Willer Tomaz

Espaço no Aeroporto de Brasília estava vazio de cédulas; defesa do advogado, amigo de Flávio Bolsonaro, diz que a estrutura atende empresas de transporte de valores.

Por que afeta o RS: O inquérito nasceu na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde a PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Tomaz.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

Vista de hangar no Aeroporto de Brasília, em Brasília (arquivo).
Foto: Degu93 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

TÍTULO: PF encontra sala oculta com máquina de contar dinheiro em hangar de Willer Tomaz

TEXTO: A Polícia Federal encontrou uma sala oculta, com porta metálica aparentemente blindada e uma máquina de contar cédulas, em um dos hangares de aviação do advogado Willer Tomaz. A existência do espaço veio a público nesta quarta (21), em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A informação foi confirmada por outros veículos, que também relataram que não havia dinheiro em espécie no local.

Tomaz é amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A origem do caso mais amplo envolvendo os dois está no Rio Grande do Sul: a investigação começou na Justiça Federal gaúcha, onde a PF analisou mensagens e documentos obtidos após a quebra do sigilo telemático de Tomaz. A sala do hangar, porém, aparece em outra frente, a Operação Sem Desconto.

O que a PF relata sobre a sala

A descoberta ocorreu durante busca e apreensão em 7 de agosto, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o relatório policial, a existência do compartimento foi informada por denúncia anônima, recebida depois da primeira inspeção nos hangares.

Os agentes voltaram ao local. Identificaram uma área escondida por uma estrutura de madeira e, depois de removê-la, encontraram uma porta metálica reforçada que dava acesso a uma sala reservada. Lá dentro, estavam uma máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura gradeada dividida em setores.

A suspeita da PF é que o espaço servisse para guardar bens, inclusive dinheiro vivo. Os investigadores apuram se aeronaves particulares podem ter sido usadas para transportar dinheiro em espécie. É uma hipótese de investigação. Nenhuma quantia foi encontrada na sala, e não há acusação formal ligada ao espaço.

Defesa diz que estrutura atende transporte de valores

Em nota, a defesa de Tomaz confirmou a sala-cofre e os equipamentos. Afirmou que fazem parte de uma estrutura destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores, clientes das empresas de aviação do advogado. Segundo o texto, ambientes protegidos, malotes e máquinas contadoras são compatíveis com essa atividade. A nota chama de fantasiosa a ideia de que o local servisse para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita e diz que não há "qualquer prova" nesse sentido.

A defesa não citou quais são as empresas de transporte de valores atendidas.

Operação Sem Desconto e inquérito no STF

A Sem Desconto investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS, e Tomaz foi alvo de busca em agosto. A PF apreendeu aviões e encontrou outra máquina de contar dinheiro na residência dele. Segundo o material que baseou esta reportagem, foram quatro aviões. Na época, Tomaz disse que jamais teve envolvimento com os fatos apurados. A apuração tem relação com suspeitas de ocultação patrimonial do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Separadamente, Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados em inquérito no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso subiu ao Supremo em 8 de outubro, por causa do foro do senador, e a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela abertura da investigação.

Segundo relatório da PF, Flávio foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz, perfil que poderia permitir acesso amplo à conta. A PF cita e-mail de 22 de maio de 2025 em que Tomaz pediu a retirada do próprio acesso. O cadastro, por si só, não comprova movimentação irregular.

A defesa de Flávio afirmou que a relação com Tomaz se limita à amizade entre as famílias e classificou como falsa a informação de que ele teria compartilhado conta bancária com o advogado ou com empresas ligadas a ele. Os dois dizem não ter negócios juntos. O inquérito segue em andamento no STF, sob relatoria de Moraes, e a sala do hangar integra o conjunto de elementos reunidos pela PF na Sem Desconto.

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