Reeleito, Lula terá minoria no Congresso: partidos aliados somam 124 dos 513 deputados
PL terá as maiores bancadas das duas Casas e 16 dos 27 governadores eleitos apoiaram Flávio Bolsonaro, inclusive todos os do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo (25) para o quarto mandato, mas governará com minoria no Congresso. O grupo de partidos aliados reúne 124 deputados e 17 senadores, num universo de 513 deputados e 81 senadores. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Na prática, os projetos do governo dependerão de negociação com o centrão. No Rio Grande do Sul, o governador eleito apoiou Flávio, e o governo federal terá de tratar com um Executivo estadual de campo oposto. Propostas que mexem na Constituição, como a PEC da Segurança Pública, exigem 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Lula defendeu a PEC e a regulação das plataformas digitais em seu discurso.
Conta não fecha nem com o centro
Os partidos de Lula contabilizados são PT (70 deputados e nove senadores), PSB, PDT, PSOL, Rede, PV e PCdoB. Mesmo que todo o centro feche com o governo, esquerda, centro e centro-direita somam 253 deputados e 33 senadores, abaixo da maioria absoluta de 257 e 41.
O PL de Flávio Bolsonaro contará com 121 deputados e terá as maiores bancadas das duas Casas. Na Câmara, o PT soma 70 deputados, e a federação com PV e PCdoB chega a 88.
Centrão apoiou Flávio, mas está dividido
PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo declararam apoio a Flávio e somam 245 deputados e 51 senadores. Parte do MDB também apoiou o bolsonarista, embora políticos do Norte e do Nordeste tenham ficado ao lado de Lula.
Há ruído entre o PL e o centrão. O PL manifestou interesse em comandar Câmara e Senado, o que desagradou ao Centrão, que perdeu cadeiras para o partido. Hugo Motta (Republicanos-PB) articula a reeleição na presidência da Câmara com apoio de dez partidos do Centrão e de PDT, PSB e PV. O PT também sinalizou apoio. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a recondução.
No discurso da vitória, Lula disse: "Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu". Ele afirmou que trabalhará com os parlamentares eleitos para votar e aprovar propostas.
Sem governadores aliados no Sul
Nos estados, o quadro também pesa contra o Planalto. Dos 27 governadores eleitos, 16 apoiaram Flávio, e Lula fica sem aliados no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Para o Rio Grande do Sul, isso significa que o governo federal terá de tratar com um Executivo estadual de campo oposto.
Lula mantém apoio no Ceará, na Bahia, no Rio Grande do Norte, no Piauí, em Sergipe e na Paraíba, e ganha o Amazonas com Omar Aziz (PSD). O cientista político Cláudio Couto é professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV. Para ele, menos aliados podem dificultar políticas que dependem de cooperação entre União e estados.
Próximo passo é a eleição das Casas
Os eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, e deputados e senadores escolherão os presidentes da Câmara e do Senado. A disputa definirá quem controla a pauta do Congresso no início do quarto mandato de Lula.
Saber mais
Leia também
Sul responde por 19,09% dos votos de Flávio; no RS, ele fez 3,87 milhões e 57,84%

Análise atribui virada de Lula a indecisos, mas Datafolha e Quaest viam só 2%

Com Lula reeleito, anistia prometida por Flávio Bolsonaro perde a via da Presidência

PF pede mais prazo em inquéritos sobre Lulinha; defesa fala em "pesca probatória"

Mais lidas
1Ações no TSE que pedem cassação de Lula e Flávio seguem após o 2º turno; sem prazo2Datafolha e Ipespe/Abrapel mostram 2º turno empatado a dois dias da eleição3TSE divulga resultados do 2º turno às 17h; TRE-RS prevê votos do RS contados até as 20h4Alcolumbre e Motta pedem reconhecimento do resultado das urnas em coletiva no TSE5Cinco estados e o DF escolhem governador no 2º turno; RS vota só para presidente