Com Lula reeleito, anistia prometida por Flávio Bolsonaro perde a via da Presidência
Congresso já derrubou o veto ao projeto que reduz penas do 8 de janeiro e da trama golpista, mas a lei não é anistia e não apaga condenações.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no segundo turno de domingo (25), tira de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a principal ferramenta para cumprir uma promessa de campanha. Flávio prometeu anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aos demais condenados pela tentativa de golpe. Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, vantagem superior a quatro milhões de votos.
Na prática, qualquer projeto de anistia terá de passar pela sanção de um presidente que já mostrou o que pensa do tema. Lula vetou integralmente o PL da Dosimetria em janeiro de 2026. O Congresso pode derrubar vetos, como fez com esse.
Redução de penas já é lei
Em 30 de abril, o Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria (PL 2.162/23), por 318 votos a 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado. O relator no Senado, senador Esperidião Amin (PP-SC), disse que a revisão aliviaria a condenação estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal. Antes da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou: "Espero que o veto ao projeto da dosimetria seja derrubado".
O texto manda aplicar a pena do crime mais grave, e não a soma, quando golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito ocorrem no mesmo contexto. Em crimes cometidos em multidão, como no 8 de janeiro, a pena cai de um terço a dois terços.
A lei, porém, não é anistia. A derrubada do veto não anula condenações nem remove penas automaticamente: as defesas precisam pedir o recálculo, com base na retroatividade da lei penal mais benéfica.
Anistia depende do Congresso
A ideia de perdão amplo não saiu de cena. Em janeiro, após o veto, Amin apresentou projeto retomando a anistia aos condenados do 8 de janeiro. Na campanha, Flávio prometeu anistia aos envolvidos na trama golpista.
Uma pesquisadora do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ disse ao Nexo que uma anistia pode prejudicar o esforço do Judiciário de punir quem tentou a ruptura democrática.
Em Brasília, na noite de domingo, Flávio disse que vai pedir a anulação da eleição. A Justiça Eleitoral não se manifestou sobre o pedido.
Saber mais
Leia também
Sul responde por 19,09% dos votos de Flávio; no RS, ele fez 3,87 milhões e 57,84%

Análise atribui virada de Lula a indecisos, mas Datafolha e Quaest viam só 2%

Reeleito, Lula terá minoria no Congresso: partidos aliados somam 124 dos 513 deputados

PF pede mais prazo em inquéritos sobre Lulinha; defesa fala em "pesca probatória"

Mais lidas
1Ações no TSE que pedem cassação de Lula e Flávio seguem após o 2º turno; sem prazo2Datafolha e Ipespe/Abrapel mostram 2º turno empatado a dois dias da eleição3TSE divulga resultados do 2º turno às 17h; TRE-RS prevê votos do RS contados até as 20h4Alcolumbre e Motta pedem reconhecimento do resultado das urnas em coletiva no TSE5Cinco estados e o DF escolhem governador no 2º turno; RS vota só para presidente