Rato foi assado junto com bolo em Porto Alegre, diz polícia; duas lojas são interditadas
Dona da loja da Cavalhada foi presa em flagrante na quarta (14) e solta na quinta (15); fiscalização apontou fezes de roedores e produtos vencidos.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 16:35 · 3 min de leitura

A Polícia Civil afirma que o rato encontrado morto num bolo comprado na loja Casa de Bolos da Cavalhada, na zona sul de Porto Alegre, foi assado junto com o alimento. A hipótese é que o animal já estava no forno e caiu na massa ao tentar sair. A proprietária, de 41 anos, foi presa em flagrante na quarta (14), por suspeita de crime contra as relações de consumo.

Para quem compra bolo, pão ou doce na capital, o caso mostra como funciona hoje a vigilância sobre as cozinhas. Em regra, a Vigilância Sanitária só entra em ação depois de uma denúncia. O canal é o 156, da Prefeitura.
Duas lojas interditadas e tratamento contra leptospirose
Segundo a delegada Milena Simioli, titular da Delegacia do Consumidor (Decon), o consumidor só percebeu o animal no terceiro dia após a compra, quando parte do produto já havia sido consumida.
Duas pessoas comeram o bolo e procuraram atendimento médico. Depois de avaliação com infectologista, receberam orientação para tratamento preventivo contra leptospirose.
Após o registro de ocorrência, a polícia acionou a Vigilância Sanitária. As equipes fiscalizaram estabelecimentos na zona sul e na região central da capital, e os dois locais foram interditados.
Na unidade da Cavalhada, a inspeção identificou fezes e urina de roedores, produtos vencidos e condições inadequadas de higiene.
A delegada afirmou que é "quase impossível" que o rato tenha entrado no bolo depois que o produto saiu da loja. A investigação também descarta que o rato tenha sido colocado de propósito no bolo. A delegada disse que a marca tem várias franquias no estado e que só esta unidade era de responsabilidade da suspeita.
A defesa da proprietária informou, em nota, que os fatos estão sendo tratados com a máxima seriedade.
Após a audiência de custódia, na quinta (15), ela recebeu liberdade provisória e responderá em liberdade.
O que a lei de 2020 mudou na fiscalização
A Lei Complementar 876, de 3 de março de 2020, é a Lei da Liberdade Econômica de Porto Alegre. Segundo a Prefeitura, ela isenta de alvará as atividades econômicas de baixo risco , e o decreto de 2021 a regulamentou. A carta de serviços municipal informa que o alvará de saúde só é emitido para empresas que exercem atividades de risco II ou III, médio ou alto.
Em 2025, Denise Marques Garcia, chefe da Vigilância Sanitária de Porto Alegre, explicou que, pela lei, restaurantes e padarias são considerados de risco 1. Por isso, ficam dispensados de alvará inicial. Na ocasião, ela disse: "Só realizamos inspeções quando há denúncia, irregularidade ou surto".
As normas sanitárias seguem valendo para todos os estabelecimentos. O que muda é o momento da checagem: sem alvará prévio, a visita de fiscais tende a depender de um aviso de quem frequenta o local.
Próximos passos
Uma das condições da Justiça para a liberdade provisória é a adequação da loja às exigências de higiene sanitária. Depois disso, a Vigilância Sanitária fará nova vistoria para verificar o cumprimento.
Serviço
Denúncias sobre condições higiênicas em restaurantes, padarias, lancherias e confeitarias podem ser feitas pelo 156, por telefone, internet ou aplicativo. Segundo a Vigilância, a denúncia gera um protocolo e permite a inspeção. Dúvidas sobre licenciamento de alimentos vão à Equipe de Vigilância de Alimentos da Secretaria Municipal de Saúde, pelo telefone (51) 3289-2441 ou pelo e-mail [email protected].
Perguntas frequentes
Como denunciar condições de higiene em padarias e confeitarias em Porto Alegre?
Pelo 156, da Prefeitura, por telefone, internet ou aplicativo. Segundo a Vigil
Saber mais
- Prefeitura de Porto Alegre – Emissão da Autodeclaração de Dispensa de Alvará
- Prefeitura de Porto Alegre – Alvará de saúde, licenças e certidões para alimentos
- Declarações da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária (registro jornalístico) – Portal 6
- Declarações da Polícia Civil – ABCmais
- Declarações da delegada e nota da defesa – g1 RS (reproduzido)
- Declarações da Polícia Civil – POA 24 Horas
- Declarações da chefe da Vigilância Sanitária de Porto Alegre
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