Ouvidoria diz que mulher morta por PM em SP não oferecia risco que justificasse tiro
O soldado que atirou foi solto em audiência de custódia, ficará 12 meses longe das ruas e disse não ter habilitação para usar taser.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 17:36 · 2 min de leitura

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo avaliou que Camila Pereira da Silva, de 32 anos, não oferecia risco iminente que justificasse o uso de força letal. A análise se baseia em informações preliminares. Ela foi baleada pelo soldado André Coelho Maximo da Costa durante uma abordagem na Avenida Mutinga , em Pirituba, na capital paulista, na quinta-feira (15). O órgão também considerou que a presença de pelo menos três policiais militares no local bastava para uma contenção pacífica.
O caso aconteceu em São Paulo e não tem efeito direto no Rio Grande do Sul. Ele reabre uma discussão que também vale para as polícias gaúchas. Quando usar a arma de fogo e quando recorrer a equipamentos de menor potencial ofensivo diante de pessoas em crise?
Policial foi solto e fica afastado por 12 meses
A Justiça concedeu liberdade provisória ao policial militar . A decisão saiu nesta sexta-feira (16), em audiência de custódia, depois da prisão em flagrante. Entre as medidas cautelares está o afastamento do trabalho nas ruas por 12 meses.
No interrogatório, Costa foi questionado se tinha habilitação para usar taser e respondeu que não.
Na versão dele e dos colegas, Camila avançou contra a equipe mesmo depois de ordens para soltar a faca. O soldado disse que recuava quando ficou encurralado por um caminhão.
A Ouvidoria afirma que o episódio mostra a necessidade de adotar e usar corretamente equipamentos como o dispositivo de incapacitação neuromuscular, o taser, e a tonfa.
Delegado apontou uso desproporcional da força
O delegado responsável pelo caso contestou a versão dos policiais depois de analisar as imagens. Segundo ele, Camila não fazia movimento de ataque no momento do disparo, e os agentes poderiam ter recuado. Ele determinou a prisão em flagrante por homicídio doloso.
"Os meios usados não foram nem necessários nem moderados", afirmou , ao observar que o vídeo não mostra uso de spray, taser ou cassetete antes do tiro.
Camila era mãe de duas meninas, enfrentava problemas graves de saúde e aguardava um transplante de fígado.
Brigada Militar tem policiais habilitados no taser
No RS, a Brigada Militar informou em seu site que habilitou 20 policiais militares do 1º Regimento de Polícia Montada no uso do Taser X2 , em 20 de março deste ano.
Em São Paulo, a arma do policial foi apreendida para perícia, e um Inquérito Policial Militar foi instaurado, com acompanhamento da Corregedoria da PM . A Polícia Civil também investiga a morte.
Leia também
Inmet mantém alerta laranja para ventos em todo o litoral do RS neste sábado, com chuva

Baixada da Menno, na BR-153 em Erechim, soma 108 acidentes em cinco anos e quatro mortes

Equipe de Zucco recebe panorama da Saúde e aponta regulação como urgência

Júri da morte de Paula Perin Portes está marcado para terça (20), em Soledade

Mais lidas
1Flávio Bolsonaro faz comício em Porto Alegre e defende maioridade penal de 16 anos na PEC2Inmet põe seis regiões do RS sob alerta amarelo de tempestade até as 23h593Lavrov e Wang Yi tratam de Irã, Ucrânia e EUA em Baku, sem anunciar acordo4Inter encara o Mirassol sem Alan Patrick nesta sexta (16) e tenta sair do Z45Inter visita o Mirassol na sexta (16), às 20h, em duelo direto contra o Z-4 do Brasileirão