Projeto na Câmara quer pôr em lei o bônus do Pronaf para quando o preço do produto cai
O PL 3039/26, do deputado Pezenti (MDB-SC), tira o PGPAF do decreto de 2006 e troca o limite de desconto por CPF por valores mínimos por hectare financiado.
Por que afeta o RS: Agricultores familiares do RS são grandes usuários do Pronaf e seriam diretamente atingidos pelos descontos em financiamentos quando os preços caírem.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

O Projeto de Lei 3039/26 propõe instituir em lei federal o Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). A medida busca proteger a renda dos produtores enquadrados no Pronaf. A Agência Câmara divulgou a proposta nesta quinta (22). O autor é o deputado Pezenti (MDB-SC).

O agricultor familiar gaúcho já usa o programa. Em outubro, quem produz feijão no Rio Grande do Sul pode abater 0,16% das parcelas do financiamento do Pronaf. O percentual vale entre 10 de outubro e 9 de novembro. O projeto quer dar a esse mecanismo uma base de lei, e não só de decreto.
Como funciona hoje
O programa foi criado e é regulamentado pelo Decreto 5.996/06. Ele dá ao agricultor um bônus de desconto no pagamento de financiamentos de custeio ou investimento. O desconto vale quando o preço de venda do produto fica abaixo do preço de garantia fixado para a cultura.
Os percentuais mensais saem em portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com cálculos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre os preços do mês anterior. A de outubro é a Portaria SAF/MDA nº 375.
O que o texto muda
Pelo projeto, o preço de garantia de cada produto será calculado com base no custo variável de produção. Ele poderá variar até 10% para mais ou para menos, sem ficar abaixo do preço mínimo oficial do governo federal.
Outra novidade é permitir que o comitê gestor defina valores mínimos de bônus por hectare financiado, conforme o produto e a modalidade de crédito. Segundo Pezenti, isso corrige o modelo atual, que aplica limites por CPF sem considerar o tamanho da área cultivada.
A Conab daria apoio técnico no levantamento dos custos de produção e dos preços de mercado. As regras operacionais e os limites de desconto ficariam com o Conselho Monetário Nacional (CMN).
Pezenti afirma que a proposta dá ao programa "maior segurança jurídica, estabilidade institucional e legitimidade democrática".
Dinheiro limitado e prioridades
O bônus dependeria da disponibilidade orçamentária da União. Se o dinheiro não bastar, teriam prioridade os agricultores de menor renda, as regiões de maior vulnerabilidade socioeconômica e os cultivos essenciais à segurança alimentar. A Câmara não divulgou estimativa de custo para a União.
Próximos passos na Câmara
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Nesse rito, o texto pode seguir sem passar pelo Plenário, se não houver recurso. Para virar lei, precisa ser aprovado por deputados e senadores. O andamento pode ser acompanhado na página do PL 3039/26 no site da Câmara dos Deputados (camara.leg.br).
Leia também
RS abre colheita do trigo em Cruz Alta com safra estimada em 2,2 milhões de toneladas

Emater revê safra de trigo do RS para 2,16 milhões de t, 37,48% menos que em 2025

Feijão: plantio chega a 84% em Ijuí e 55% em Santa Maria; saca cai 1,29%, a R$ 212,22

Emater reduz safra de trigo do RS para 2,16 milhões de toneladas; área é 34,56% menor

Mais lidas
1Adolescente de 16 anos cai do 3º pavimento de shopping em Caxias e está em estado grave2Falhas críticas no PHP tiram sites do ar pelo mundo; correção está nas versões 8.2 a 8.53Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio e inelegibilidade por 8 anos4Flávio impõe condições para abrir sigilos; campanha de Lula diz aceitar todas5Debate da Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro começa às 21h20 desta sexta; veja onde assistir