Emater revê safra de trigo do RS para 2,16 milhões de t, 37,48% menos que em 2025
Colheita chega a 19% da área, abaixo da média histórica de 22%, e lavouras do Noroeste relatam grãos chochos e peso hectolítrico menor.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 3 min de leitura
Atualizada 23/10, 01:10 · A abertura oficial da colheita do trigo no RS foi em Cruz Alta, segundo município em área cultivada em 2026, atrás de Palmeira das Missões; os números da Emater não mudaram.

A Emater/RS-Ascar estima em 2,16 milhões de toneladas a safra de trigo do Rio Grande do Sul em 2026. A queda é de 37,48% sobre as 3,46 milhões de toneladas colhidas em 2025. A atualização saiu no Informativo Conjuntural de quinta-feira (22).

Para o triticultor, a conta combina menos grão e, em parte das lavouras, grão de qualidade pior, o que pesa na hora de vender. A colheita avançou de 9% para 19% da área entre os dois últimos informativos, mas ficou abaixo da média histórica de 22% para o período.
Área menor explica a maior parte da queda
A área de trigo caiu 34,56%, de 1.166.163 hectares em 2025 (IBGE) para 763.121 hectares. A produção estimada é de 2.161.922 toneladas, ante 3.458.083 toneladas no ano passado. A produtividade projetada é de 2.833 quilos por hectare.
Na comparação com o informativo de 15 de outubro, o ajuste foi pequeno. A área foi reduzida de 814.220 para 763.121 hectares, a produtividade subiu e a produção prevista passou de cerca de 2,20 milhões para 2,16 milhões de toneladas, recuo de 1,7%.
A Emater elevou a projeção de produtividade porque a estimativa inicial considerava mais perdas, típicas de anos de El Niño. Neimar Peroni, um dos organizadores do Informativo Conjuntural, alertou que a projeção poderá ser revista para baixo se os resultados esperados no campo não se confirmarem.
A redução da área já vinha desde o plantio. Os produtores plantaram menos por causa do El Niño e das dificuldades financeiras com os preços baixos do cereal, além da descapitalização, da falta de crédito e dos custos de produção.
A abertura oficial da colheita no estado aconteceu em Cruz Alta, no Noroeste. O município tem a segunda maior área de trigo do RS em 2026, atrás apenas de Palmeira das Missões.
Chuva, granizo e doenças marcam o ciclo
Sequência de chuvas, umidade elevada, baixa luminosidade, granizo e ventos fortes prejudicaram o potencial da safra. No Centro-Oeste e no Noroeste, os eventos provocaram acamamento e debulha de espigas nas áreas atingidas por granizo.
Nas áreas já colhidas, as produtividades são consideradas satisfatórias, mas a qualidade ficou abaixo do esperado em parte das regiões. Em Tenente Portela, na região de Ijuí, as primeiras áreas colhidas renderam menos de 1.800 quilos por hectare, com peso hectolítrico (PH) abaixo de 74. Em Itaqui, o informativo de 15 de outubro registrou entre 1.200 e 1.500 quilos por hectare, abaixo do estimado. A Emater não informou o percentual da safra com perda de qualidade.
Preço e importação
O indicador Cepea/Esalq para o trigo gaúcho fechou em R$ 1.473,40 por tonelada em 21 de outubro, com variação de -0,12% no dia e de +1,57% no mês. O indicador é uma média e não mostra o valor pago por lote, que depende do PH e do estado dos grãos.
Para a indústria, a quebra gaúcha reforça a dependência de trigo de fora. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) afirmou que as compras externas do país podem chegar perto de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima dos 7,5 milhões previstos no início. A Emater e o governo estadual não divulgaram cálculo do efeito sobre moinhos gaúchos.
Em Santa Rosa, na região Noroeste, o boletim da Secretaria da Agricultura do RS registrou lavouras maduras com danos de temporais. Produtores acionaram o Proagro e seguros privados, e as vistorias seguem em andamento.
O que vem a seguir
Com a colheita em 19% da área, a qualidade final do trigo depende do tempo nas próximas semanas.
Atualização: a abertura oficial da colheita do trigo no estado foi realizada em Cruz Alta, no Noroeste, município com a segunda maior área cultivada do RS em 2026, atrás de Palmeira das Missões.
Perguntas frequentes
Qual a estimativa da safra de trigo do RS em 2026?
A Emater/RS-Ascar estima 2,16 milhões de toneladas, 37,48% abaixo das 3,46 milhões colhidas em 2025.
Quanto da área de trigo já foi colhida no RS?
Até o informativo mais recente, a colheita havia chegado a 19% da área, abaixo da média histórica de 22% para o período.
Qual o preço do trigo gaúcho?
O indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 1.473,40 por tonelada em 21 de outubro; o valor pago por lote depende do peso hectolítrico e do estado dos grãos.
Saber mais
- Emater/RS-Ascar, segunda estimativa da Safra de Inverno 2026 (Mais Soja)
- Emater/RS-Ascar, Informativo Conjuntural de 22/10 (Jornal Noroeste)
- Portal do Agronegócio, comparação entre os informativos de 15 e 22 de outubro
- Reuters via Investing.com, Emater eleva previsão de produtividade
- Forbes Agro, boletim da Emater de 8/10
- Agro2, Informativo Conjuntural de 15/10
- CNN Brasil, primeira estimativa da Emater para o trigo
- Brasil 61, indicador Cepea/Esalq
- Secretaria da Agricultura do RS, boletim sobre lavouras
Leia também
Feijão: plantio chega a 84% em Ijuí e 55% em Santa Maria; saca cai 1,29%, a R$ 212,22

Emater reduz safra de trigo do RS para 2,16 milhões de toneladas; área é 34,56% menor

Emater corta em 11% a estimativa de canola no RS, para 508.863 toneladas

Chuva do El Niño favorece bacteriose no trigo do RS; Embrapa alerta para a semente

Mais lidas
1Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco2Adolescente de 16 anos cai do 3º pavimento de shopping em Caxias e está em estado grave3Falhas críticas no PHP tiram sites do ar pelo mundo; correção está nas versões 8.2 a 8.54Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio e inelegibilidade por 8 anos5Flávio impõe condições para abrir sigilos; campanha de Lula diz aceitar todas