Procon-BA aponta 370 ônibus parados em Salvador; prefeitura diz que liberou a frota
TRE-BA mandou prender o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, e exigiu 100% da frota sob multa de R$ 1 milhão por hora; a prefeitura atribui os atrasos a adesivos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O Procon-BA contabilizou 370 ônibus parados em quatro garagens de Salvador na manhã deste domingo (25), dia do segundo turno. Duas das garagens ficam na Barros Reis e duas no Subúrbio. A prefeitura nega ter segurado a frota e diz que mandou liberar todos os veículos.
Quem depende de ônibus para votar na capital baiana sentiu o problema nos pontos e nas estações. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciou ao TRE-BA que a oferta estava mais de 50% abaixo da prevista para dias úteis. O caso é de Salvador, mas ocorre na mesma eleição presidencial que o eleitor gaúcho decide nas urnas neste domingo. O que está em disputa é o direito ao transporte gratuito e integral no dia da votação.
O que o Procon-BA encontrou nas garagens
O órgão recebeu denúncia sobre o bloqueio da saída de ônibus pela Prefeitura de Salvador e mandou equipes às garagens. Segundo o Procon, a distribuição dos veículos parados foi esta:
OT Trans G3, em Campinas de Pirajá: 118 veículos no pátio.
Integra Plataforma Barros Reis (G7): 55 veículos.
Integra Plataforma Suburbana: 142 veículos.
A fiscalização seguia em outras garagens da capital. O Procon informou que adotará as medidas administrativas cabíveis e dará continuidade às inspeções. Não havia manifestação das concessionárias OT Trans e Integra Plataforma até a publicação desta matéria.
TRE-BA manda prender secretário e exige frota total
O presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, atendeu a um pedido da Federação Brasil da Esperança. Ele determinou que a Polícia Federal faça a "imediata prisão em flagrante delito" do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, com força de mandado. O desembargador concluiu que a ordem para reter parte dos ônibus partiu da Semob.
A decisão também manda restabelecer a frota inteira. O descumprimento sujeita a multa de R$ 1 milhão por hora. O despacho fixou prazo de uma hora para comprovar a circulação integral dos ônibus. Não houve informação, até a publicação, sobre aplicação da multa.
Até a publicação da decisão, não havia confirmação de que a ordem de prisão tinha sido cumprida. Segundo o site O Antagonista, o secretário está em Paris e o mandado não foi cumprido.
Prefeitura nega e culpa adesivos
Em nota, a Secretaria de Mobilidade informou que determinou a liberação de todos os ônibus, inclusive os com adesivos que considerou propaganda irregular. A Semob alegou que 75 veículos foram retidos por conterem propaganda política.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) atribuiu o atraso a adesivos com o número 13, do PT. Segundo ele, os ônibus do consórcio Plataforma só saíram depois da retirada do material. Os veículos do consórcio Ótima teriam circulado normalmente. Reis afirmou que os atrasos pontuais foram contornados e a frota, normalizada.
Em entrevista a emissoras locais, Souza reconheceu os atrasos e pediu desculpas à população. Disse ter orientado a liberação dos ônibus mesmo sem a retirada dos adesivos concluída.
Governo estadual fala em crime eleitoral
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, acusou Reis e Souza de impedirem de propósito a circulação para prejudicar o deslocamento dos eleitores. "Todos os indícios são de que nós estamos diante de um crime eleitoral", afirmou ao Broadcast Político. A prefeitura nega a acusação.
Freitas contestou a versão dos adesivos. Segundo ele, vídeos do Procon mostram ônibus novos, sem marca de adesivo, parados nas garagens. Ele também citou declaração de Hélio Ferreira, do Sindicato dos Motoristas, à Rádio Metrópole. De acordo com essa declaração, os motoristas teriam sido convocados para a escala habitual de domingo, e não para a de dia útil. A reportagem não localizou confirmação independente da fala de Ferreira.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) disse ter colocado à disposição policiais militares habilitados para dirigir os ônibus, se necessário. Os próximos passos dependem das inspeções do Procon-BA, que continuam, e do cumprimento da decisão do TRE-BA.
Saber mais
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