PGR pede a Fachin que mantenha presos pai, primo, cunhado e operador de Vorcaro
No mesmo parecer, enviado ao STF no sábado (17), a Procuradoria rejeita a tese de abuso de autoridade de André Mendonça e apoia a OAB na proteção ao sigilo de contratos de advogados.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu manter as prisões cautelares de Henrique Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, Fabiano Zettel e Daniel Lopes Monteiro, investigados no Caso Master. O parecer foi encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, no sábado (17). Henrique é pai e Felipe é primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel é cunhado do ex-banqueiro, e Monteiro é apontado como operador dele. Os quatro são alvos das operações Compliance Zero e Sem Desconto.

Na prática, os pedidos de soltura seguem sem resposta do Supremo. A PGR também pediu que o ministro examine os pedidos urgentes dos inquéritos reunidos sob a Presidência da Corte, como o Caso Master e a investigação conhecida como Farra do INSS.
PGR diz que não há motivo para mudar de posição
A manifestação foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e por outros integrantes do Ministério Público. Gonet lembrou que já havia se manifestado sobre os pedidos em julho e em agosto e disse que não há por que mudar a posição "neste momento". Segundo a PGR, seguem válidos os fundamentos que motivaram as prisões preventivas.
Entre os pedidos estavam os dos advogados de Vorcaro, do cunhado e do pai, pela revogação das prisões. Para Gonet, se Fachin não reconsiderar as decisões contestadas, os recursos urgentes devem ir ao plenário do Supremo.
Relatórios da PF não são provas, afirma a PGR
O parecer também trata de André Mendonça, ministro do STF que conduz a investigação. A PGR concluiu que não houve abuso de autoridade na condução do caso. Segundo a Procuradoria, os relatórios da Polícia Federal (PF) que citam o ministro não expressam investigação contra ele. São registros de fatos ocorridos no curso das apurações.
A PGR afirma que os próprios relatórios apontam não ter valor probatório e servem para orientar as investigações. Por isso, escreve, não podem ser considerados provas ilícitas: "Reduzem-se a hipóteses de cenários concebidos a partir dos fatos registrados".
O parecer divide as competências. Cabe à PGR avaliar eventual violação à Lei de Abuso de Autoridade. Crimes de responsabilidade e impropriedade administrativa ficam com o Senado e com o Plenário do Supremo.
Sigilo de contratos de advogados
A PGR acolheu o pedido do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Ordem manifestou preocupação com a exposição de contratos e outras peças ligadas ao exercício da advocacia. Pediu que esses materiais sejam avaliados antes de divulgados e que o sigilo seja garantido quando necessário.
A Procuradoria apontou a proteção constitucional da intimidade e da vida privada, prevista no artigo 5º, inciso X, da Constituição, além das garantias próprias da advocacia. Para a PGR, material sem possível conotação ilícita e ligado a relações privadas tem proteção contra o uso indevido.
A decisão sobre as prisões, o sigilo e as demais questões do parecer cabe agora ao Supremo. Os pedidos de revisão aguardam análise de Fachin.
Perguntas frequentes
Quem a PGR quer manter presos no Caso Master?
Henrique Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, Fabiano Zettel e Daniel Lopes Monteiro, investigados nas operações Compliance Zero e Sem Desconto.
Quem entrega o parecer ao STF?
O parecer foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, no sábado (17).
A PGR viu abuso de autoridade de André Mendonça?
Não. A PGR concluiu que não houve abuso de autoridade e afirmou que os relatórios da PF citados não são provas.
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