PF prende em Livramento condenado na Itália por crimes da ditadura uruguaia
Mandado cumpre decisão do STJ que mandou executar no Brasil pena de 30 anos, convertida da prisão perpétua aplicada pela Justiça italiana.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Polícia Federal prendeu nesta segunda (26), em Sant'Ana do Livramento, na Fronteira Oeste, um morador condenado em processo ligado à ditadura militar uruguaia. O mandado foi expedido após decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal homologou uma sentença penal estrangeira, da Justiça italiana, e determinou o cumprimento da pena no Brasil.

Para o leitor da fronteira, o caso é local: a pena será cumprida no Brasil porque o condenado tem nacionalidade brasileira e não pode ser extraditado à Itália. Segundo a PF, depois de localizado e preso, o homem foi encaminhado ao sistema prisional, onde fica à disposição da Justiça.
Quem é o alvo da decisão do STJ
A nota da PF não traz o nome do preso. A decisão do STJ que embasa o mandado, tomada em 21 de outubro, trata do caso de Pedro Antonio Mato Narbondo, conhecido como "El Burro". Ele é ex-oficial do Exército uruguaio e foi condenado na Itália por quatro homicídios na Operação Condor. Nos anos 1970, integrava o Serviço de Informações de Defesa (SID), braço da repressão política no Uruguai.
A condenação é pelo sequestro, tortura e morte de quatro cidadãos italianos na Argentina, em 1976. A Operação Condor foi uma aliança entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores. O julgamento ocorreu na Itália por causa da nacionalidade de várias das vítimas. A sentença transitou em julgado em julho de 2021.
Por que a pena será cumprida aqui
Narbondo nasceu no Uruguai, mas é filho de brasileira. Em 2003, a Justiça Federal o reconheceu como brasileiro nato. A Constituição proíbe a extradição de brasileiro nato. Por isso, o governo italiano pediu que a pena fosse cumprida no Brasil.
Na quarta (21), a Corte Especial decidiu, por maioria, que a sentença italiana é válida. A pena foi limitada a 30 anos, porque a lei brasileira não permite prisão perpétua. O colegiado afastou os obstáculos de anistia e prescrição diante de graves violações de direitos humanos. Segundo o subprocurador-geral da República Artur Gueiros, é a primeira vez que um agente de regime ditatorial cumprirá prisão no Brasil por violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura.
Tornozeleira desde março
Com o julgamento suspenso e diante de evidências de risco de fuga, a Corte Especial acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e impôs tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de deixar Sant'Ana do Livramento, onde Narbondo mora. Ele vive no município desde 2013.
Ao contestar a homologação, a defesa sustentou que a Lei da Anistia alcançou crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979. O pedido da defesa para cumprir a pena em prisão domiciliar, por causa da idade de 85 anos e de problemas de saúde, deve ser analisado pelo juízo da execução penal. A Corte Especial mandou a carta de sentença para a Justiça Federal em Sant'Ana do Livramento, que acompanha o cumprimento da pena. A PF não informou em qual unidade prisional o preso está.
Perguntas frequentes
Quem foi preso em Sant'Ana do Livramento?
A nota da PF não informa o nome; a decisão do STJ trata de Pedro Antonio Mato Narbondo, condenado na Itália por quatro homicídios na Operação Condor.
Por que a pena será cumprida no Brasil?
Ele é reconhecido como brasileiro nato, e a Constituição proíbe a extradição de brasileiro nato, então a pena da Itália é executada aqui.
Quanto tempo é a pena?
A pena foi limitada a 30 anos, porque a lei brasileira não permite prisão perpétua.
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