PF pediu a prisão de Canella em setembro; Moraes decidiu só após a eleição, em 13/10
Deputado estadual eleito no Rio com 197.178 votos, Márcio Canella foi preso nesta quinta (15) na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que apura lavagem de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 10:12 · 2 min de leitura

O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal nesta quinta (15), na Barra da Tijuca, no Rio. A PF pediu a prisão um mês antes da eleição, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável ainda em setembro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou a ordem na terça (13).
Entre o pedido da PF e a ordem de prisão passaram cerca de 40 dias, e Canella foi eleito nesse intervalo. Ele foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio na eleição de 4 de outubro, com 197.178 votos. A decisão de Moraes saiu nove dias depois da votação.
Decisão não cita a eleição
As datas aparecem na decisão de Moraes, um documento de 107 páginas divulgado pelo portal Poder360. Segundo o texto, a decisão não menciona a eleição nem o fato de Canella ter sido eleito. Também não explica o intervalo entre o parecer da PGR e a ordem de prisão.
Esquema movimentou R$ 7,6 bilhões
A ação cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios do estado do Rio. O alvo é uma organização criminosa suspeita de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo relatório do Coaf, o esquema movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos.
A PF vê Canella como "patrono político" e "articulador" do grupo. Também foi preso o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil e ex-presidente do Detran. Outros quatro inspetores da Polícia Civil foram presos.
Durante uma busca, os investigadores encontraram pilhas de dinheiro escondidas em uma adega. Moraes também mandou sequestrar bens e valores e suspendeu a atividade econômica de 112 empresas investigadas, a maioria postos de gasolina.
A PF aponta suspeitas diferentes conforme o papel de cada investigado. A lista inclui organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. São alegações da investigação, sem condenação.
Segunda prisão em três meses
Em julho, Canella já tinha sido alvo da PF e foi preso por portar um fuzil que não estava registrado em seu nome. Ele foi solto dias depois. Na época, disse que a arma não era sua.
Canella é ex-prefeito de Belford Roxo. A defesa dele informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos.
Serviço
- Operação: Unha e Carne, 8ª fase, deflagrada em 15 de outubro de 2026
- Responsável pela decisão: ministro Alexandre de Moraes, do STF
- Comunicado oficial da PF: gov.br/pf
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