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Perseverance mede poeira de 100 nanômetros em Marte e Nasa avalia risco a astronautas

Partículas coladas em amostras de tecido de traje espacial podem chegar aos pulmões, mas o estudo não demonstra dano à saúde humana.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Cratera Jezero, em Marte, fotografada pelo rover Perseverance da Nasa.
Foto: NASA/JPL-Caltech/ASU / Wikimedia Commons (Public domain)

O rover Perseverance, da Nasa, mediu em Marte partículas finas e ultrafinas de poeira que ficaram aderidas a amostras de materiais de traje espacial levadas a bordo. A pesquisa foi publicada nesta terça (27) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Partículas menores podem penetrar mais fundo no organismo e são mais difíceis de eliminar.

O resultado serve ao planejamento de missões tripuladas futuras. Segundo a Nasa, os dados podem orientar o projeto de trajes e habitats, os procedimentos de remoção de poeira e os padrões de saúde das tripulações.

Quadro: Perseverance mede poeira de 100 nanômetros em Marte e Nasa avalia risco a astronautas
Entenda em um quadro · Bairrista

O que o rover mediu

As observações cobrem 1.645 dias marcianos. O instrumento PIXL, um espectrômetro de raios X, detectou partículas finas de menos de 2,5 micrômetros e ultrafinas de cerca de 100 nanômetros. Em alguns materiais, as medições ficaram entre 100 e 300 nanômetros.

O rover carrega cinco amostras de tecido de traje, de 20 milímetros de lado, que fazem parte de um alvo de calibração do instrumento SHERLOC. O alvo do PIXL tem uma amostra de teflon e outra de vidro basáltico.

Risco depende de dose e exposição

O autor principal do estudo, Scott VanBommel, cientista planetário da Universidade de Washington em St. Louis e integrante da equipe do Perseverance, afirmou que partículas menores não são necessariamente mais perigosas. Segundo ele, elas podem entrar mais fundo no corpo e são mais difíceis de eliminar. O estudo não demonstra dano a astronautas, e o risco dependeria da dose e do tempo de exposição, segundo a Universidade de Washington.

A Nasa compara com a Lua. Na época do programa Apollo, a poeira lunar riscou viseiras, degradou camadas externas dos trajes e danificou vedações, e alguns astronautas relataram sintomas parecidos com os de febre do feno. A poeira marciana é diferente: os grãos são arredondados pelo vento e menos abrasivos, mais ricos em enxofre, cloro e ferro, e têm mais sílica que a poeira lunar.

Lindsay Hays, diretora interina da Divisão de Ciência Planetária da Nasa, disse que "Dust has been a surface-exploration challenge since the Apollo program", em tradução livre, a poeira é um desafio da exploração de superfície desde o Apollo.

Como reduzir a poeira dentro do habitat

A quantidade de poeira que chegaria aos habitats dependerá também do desenho dos trajes e das eclusas.

O estudo completo está na PNAS, e o comunicado da Nasa está no site do JPL.

Saber mais: fontes consultadas (2)

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