Oxfam: 0,1% mais ricos emitem mais carbono que os 3,5 bilhões mais pobres do mundo
Relatório divulgado antes da COP31 estima 1,9 milhão de mortes por calor a partir de um ano de emissões dos 1% mais ricos.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

A ONG Oxfam publicou nesta terça (27) o relatório Disaster Divide, que mostra que os 0,1% mais ricos do planeta, cerca de 8 milhões de pessoas, produzem mais poluição de carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. O estudo saiu antes da COP31, a conferência do clima da ONU, marcada para a Turquia entre 9 e 20 de novembro.
O relatório não trata do Rio Grande do Sul, mas alimenta a discussão que chega à COP31: quem paga a conta da adaptação a enchentes, estiagens e calor extremo, eventos que o Estado enfrenta. A Oxfam não liga as emissões desses grupos a nenhum evento específico no RS.

O que o estudo calcula
Pelas contas da Oxfam, em 2023 os 0,1% mais ricos emitiram 2.361 milhões de toneladas de CO₂, contra 2.312 milhões dos 44% mais pobres. Esse grupo também emite mais de três vezes o total da África Subsaariana, de 1,3 bilhão de habitantes.
Sobre o calor, a ONG afirma que uma pessoa entre os 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as ondas de calor extremo atuais que alguém entre os 50% mais pobres. Já o 1% mais rico responde por 20% do aquecimento global desde 1990, cem vezes mais por pessoa que a metade mais pobre.
Mortes por calor são estimativa
A Oxfam estima que apenas um ano de emissões do 1% mais rico causará 1,9 milhão de mortes adicionais por calor. Desse total, 78% ocorrerão em países de renda baixa e média-baixa, responsáveis por 8% das emissões globais. O número é uma projeção da entidade, não uma contagem de óbitos já registrados.
Para chegar a esses resultados, a Oxfam combinou dados de desigualdade de carbono do SEI com modelos de atribuição climática. A organização disponibiliza o relatório e uma nota metodológica para download.
"Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas", afirmou Amitabh Behar, diretor-executivo internacional da Oxfam, em nota.
O que a Oxfam quer na COP31
A entidade pede que os governos adotem impostos permanentes sobre riqueza e renda, uma taxa permanente sobre empresas de combustíveis fósseis e tributos pesados sobre itens de luxo de alta emissão, como jatos particulares. Também defende mais financiamento climático para o Sul Global, com prioridade a recursos públicos e a fundo perdido, e adaptação com verba triplicada até 2035.
O relatório Disaster Divide e a nota metodológica estão disponíveis no site da Oxfam.
Saber mais: fontes consultadas (4)
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