Iêmen passa de 250 mil deslocados desde agosto; ONU pede acesso humanitário a Taiz
Taiz, cercada pelos houthis desde o início de outubro, concentra 52% dos deslocados recentes, segundo o Acnur.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Mais de 250 mil pessoas foram deslocadas dentro do Iêmen desde que a guerra civil recomeçou, informou a ONU nesta terça (20). O Acnur, agência da ONU para refugiados, contabiliza os deslocamentos entre 1º de agosto e 17 de outubro. A ONU pede que a ajuda humanitária possa entrar em Taiz.

Não há efeito direto no Rio Grande do Sul. O caso é registrado como nota por mostrar o tamanho da crise humanitária num dos países mais pobres do mundo.
O porta-voz do Acnur, Matthew Saltmarsh, disse que o total passou de cerca de 213 mil, divulgado antes, para mais de 250 mil. Segundo ele, Taiz responde por 76% das saídas e abriga 52% dos recém-deslocados. A fala foi numa entrevista coletiva em Genebra.
Os houthis cercam Taiz desde o início de outubro e bloqueiam a estrada que liga a cidade a Aden, capital provisória do governo apoiado pela Arábia Saudita. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu em comunicado atenção urgente à situação na cidade. Türk afirmou que a ajuda humanitária deve poder entrar "de imediato" em Taiz.
Água, fome e cólera
O representante do Unicef no Iêmen, Akhil Iyer, disse em Genebra que os combates cortaram rotas de abastecimento. Sistemas de água que atendem cerca de 3 milhões de pessoas, entre elas ao menos 1,6 milhão de crianças, estão em risco. A falta de diesel ameaça parar as bombas, e o preço da água entregue por caminhão triplicou, afirmou Iyer.
Em Taiz, mais de 52 mil das 168 mil crianças examinadas este ano tinham desnutrição aguda. Agências da ONU também alertam para a alta nos casos de cólera e para a falta de combustível nos hospitais.
Dinheiro não chegou
A guerra civil iemenita recomeçou em julho, meses depois do início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Os combates se intensificaram no mês passado, quando os houthis tomaram território estratégico na costa do Mar Vermelho.
Tarik Jasarevic, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que só US$ 3,8 milhões dos US$ 31 milhões necessários para uma resposta de emergência de 90 dias foram assegurados. A diferença é de US$ 27,2 milhões.
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