Itália envia 500 militares a Milão após protestos contra custo de vida; 45 são presos
Dos 271 jovens levados a delegacias no domingo (18), 220 eram menores, e o governo Meloni vota nesta terça (20) um decreto de segurança.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O governo da Itália mandou 500 militares adicionais a Milão depois de dois dias de saques e confrontos durante protestos contra o custo de vida, no sábado (17) e no domingo (18). O balanço dos dois dias aponta 45 presos, 34 deles menores de idade. O Conselho de Ministros se reúne nesta terça (20), às 17h30 no horário local (12h30 em Brasília), para votar um decreto-lei.
Os números oficiais são maiores do que os divulgados nas primeiras horas. O ato que terminou em violência foi um corteo contra o carovita, como os italianos chamam a alta do custo de vida. As medidas em discussão em Roma tratam de segurança pública.
Polícia levou 271 à delegacia em dois dias
Só nos distúrbios de domingo, 271 a polícia comunicou 32 prisões e 28 denúncias. Nos dois dias, 271 pessoas foram levadas à delegacia, 220 delas menores. Entre os presos, 23 são menores, e 174 pessoas ficaram retidas pelo chamado "fermo di prevenzione". Foram 14 agentes feridos nos dois dias.
Os 11 presos maiores de idade são, em maioria, jovens nascidos entre 2007 e 2008, sem ligação com grupos antagonistas. Para os menores, a Procuradoria de Menores investiga devastação, saque e resistência agravada a agente público.
O que está em discussão no decreto
A minuta prevê os 500 militares com funções de polícia judiciária por três meses, pena de um ano e meio a cinco anos para dano em grupo e prisão em flagrante diferida em até 48 horas. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, disse que os soldados só terão sentido em Milão se puderem agir como polícia durante esse período.
Os menores são o ponto mais disputado. A versão inicial ampliava para os adolescentes de 14 a 18 anos o tempo de retenção preventiva, de 12 para 24 horas. Reportagens desta terça indicam que a norma deve cair por dúvidas de constitucionalidade. O Quirinale, sede da Presidência da República, examina a regra com cautela.
A Liga reivindica o decreto, e o sindicato de polícia Coisp contesta militares com funções investigativas. O senador Matteo Renzi pediu a saída do ministro do Interior, Matteo Piantedosi.
Serviço
O Conselho de Ministros extraordinário começa às 17h30 desta terça (20), em Roma, e deve votar o decreto de segurança que inclui o envio dos 500 militares a Milão.
Saber mais
- Il Politico Web (Conselho de Ministros e conteúdo do decreto)
- Open (revisão do decreto e fermo de menores)
- Il Moderatore (Quirinale e decreto)
- Fanpage (Crosetto e medidas em estudo)
- Corriere Adriatico (balanço dos dois dias)
- Metro Today (balanço de domingo)
- Milano Today (acusações e fermo de prevenção)
- Il Giorno (presos e perfil dos jovens)
- Infodifesa (oposição e vertice em Palazzo Chigi)
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