UE lança estratégia para o Ártico com quebra-gelos e cabo até o Japão, mas sem verba nova
Plano apresentado em Estrasburgo mira Rússia e China, cita os EUA entre os possíveis parceiros e ainda precisa ser discutido com os governos do bloco.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A União Europeia apresentou nesta terça (20) sua nova estratégia para o Ártico. O plano prevê mais quebra-gelos, vigilância sobre a chamada frota-fantasma russa e, no longo prazo, um cabo submarino ligando a Europa ao Japão. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou o documento.
O plano não traz financiamento adicional nem valores de gastos, e ainda precisa ser discutido com os governos da UE. Para o Rio Grande do Sul, o anúncio não traz medida específica: define prioridades de uma região distante, sem dinheiro novo garantido.
Quebra-gelos e frota-fantasma
A proposta é fazer compras conjuntas e compartilhar quebra-gelos, começando por um mapeamento das necessidades, dos navios e da capacidade dos estaleiros europeus. O documento não fixa quantidade de embarcações nem prazo. Os 27 países da UE somam cerca de 10 quebra-gelos, contra uma estimativa de 40 operados pela Rússia.
Na vigilância, a estratégia prevê melhor compartilhamento de dados para monitorar a "frota-fantasma" de petroleiros de Moscou, usada para driblar sanções. A UE também prevê um centro de segurança marítima, que começa com um Arctic Cable Hub. Esse centro vai monitorar, proteger e ajudar a consertar cabos submarinos no Atlântico Norte e no Ártico.
Cabo chega ao Japão só no horizonte longo
O primeiro trecho do projeto liga a Groenlândia diretamente à Europa. Ele faria parte de um futuro cabo pan-ártico até o Japão e a Coreia do Sul, passando pelo Canadá. O documento não apresenta cronograma nem indica quem executaria a obra.
A UE já havia anunciado € 200 milhões para a Groenlândia, em setembro, em áreas como conectividade, infraestrutura, energia renovável e matérias-primas. Esse valor não é o orçamento total da estratégia.
Parceiros e o lugar dos EUA
A estratégia propõe reforçar a cooperação com países de fora do bloco. Entre eles estão Canadá, Reino Unido e Noruega, com cúpulas regulares de parceiros da "vizinhança nórdica". O quadro de cooperação cita também Islândia e Estados Unidos, além de Groenlândia e Ilhas Faroé.
Os americanos, porém, têm presença discreta no texto. Segundo a AFP, que viu um rascunho, os EUA são citados poucas vezes nas 20 páginas, contra quase duas dúzias de menções ao Canadá. A apresentação vem nove meses após as ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
O próximo passo é a discussão do documento com os governos dos 27 países da União Europeia.
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