ONG diz que falhas em execuções nos EUA desviam debate sobre manter a pena de morte
Robin Maher, do Death Penalty Information Center, afirma que o país teve 23 novas condenações à morte em 2025, contra mais de 300 por ano na época da sentença de Christa Pike.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A tentativa fracassada de executar Christa Pike, no Tennessee, e a polêmica em torno da transmissão ao vivo de um fuzilamento reacenderam o debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Para Robin Maher, diretora do Death Penalty Information Center (DPIC), a pergunta central é outra: o país deve continuar aplicando a pena? Ela deu a avaliação à AFP, em entrevista divulgada nesta terça (20).
No Brasil, a pena de morte só é admitida pela Constituição em caso de guerra declarada, e não há medida no Rio Grande do Sul ligada aos episódios. Para o leitor gaúcho, fica o debate de fundo: erro judiciário, limites da punição do Estado e o que a sociedade aceita ver em nome da Justiça.
O que aconteceu com Christa Pike
Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas doses de pentobarbital na tentativa de execução de quarta-feira, 30 de setembro, pelo assassinato da colega Colleen Slemmer, em 1995. Os advogados dela afirmam que os braços ficaram queimados e com bolhas. Ela recebeu alta e voltou ao presídio feminino Debra K. Johnson Rehabilitation Center, onde ficou por 30 anos, segundo os advogados.
O governador Bill Lee adiou a única outra execução marcada para este ano no estado e mandou revisar o que deu errado. O chefe do sistema prisional do Tennessee pediu demissão. O Departamento de Correções do estado sustenta que seguiu o protocolo.
Não há nova data para Pike. O governador pode intervir, mas não se sabe se o atual ou o próximo faria isso. Também não está claro se a investigação termina antes do fim do mandato de Lee, em janeiro.
Trump recua da transmissão do fuzilamento
Nidal Hasan, condenado pela morte de 13 pessoas em Fort Hood, em 2009, deve ser executado por pelotão de fuzilamento às 13h (horário central) de 3 de dezembro, na base do Texas. Seria a primeira execução militar por fuzilamento desde 1945.
A ideia de transmitir ao vivo partiu do secretário de Defesa, Pete Hegseth, e provocou reação. O vice-presidente JD Vance disse que não assistiria. O presidente da Câmara, Mike Johnson, temia que o vídeo servisse de material de recrutamento para terroristas.
Na quinta (15), o presidente Donald Trump cancelou a transmissão, após forte reação de republicanos e democratas. Ele manteve o fuzilamento e disse que familiares próximos das vítimas poderão assistir presencialmente. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que Hegseth apoia a decisão.
O recuo veio como decisão presidencial. O professor Richard Garnett, da Faculdade de Direito de Notre Dame, avaliou que abandonar a transmissão evita contestações judiciais que provavelmente atrasariam a execução.
A pergunta que Maher quer ver respondida
Maher disse à AFP que americanos deveriam discutir se o país mantém a pena, e não só como executar. Segundo ela, erros ocorreram com todos os métodos: pelotão, forca, injeção letal e gás nitrogênio.
A diretora do DPIC citou números para mostrar a mudança de cenário. Pike foi condenada há mais de 30 anos, quando eram proferidas mais de 300 novas sentenças de morte por ano. No ano passado, foram 23. Maher também afirmou que mais de 200 condenados à morte foram depois exonerados e disse que a oposição à pena cresce, sobretudo entre os jovens.
Ela apontou ainda uma "enorme desconexão" entre decisões de autoridades eleitas nos estados e o desejo da população. Nos 27 estados que ainda aplicam a pena de morte, críticos pedem a suspensão das execuções após o caso de Pike.
O próximo marco é 3 de dezembro, data do fuzilamento de Hasan em Fort Hood, sem transmissão pública e com familiares das vítimas autorizados a assistir. No Tennessee, a revisão independente do caso Pike segue sem prazo de conclusão, e a Suprema Corte estadual ainda não marcou nova data.
Perguntas frequentes
Pena de morte é permitida no Brasil?
A Constituição só admite a pena de morte em caso de guerra declarada.
Christa Pike foi executada?
Não. Ela sobreviveu a duas doses de pentobarbital na tentativa de quarta-feira, 30 de setembro, recebeu alta e voltou ao presídio; não há nova data.
Quando será o fuzilamento de Nidal Hasan?
Está previsto para 3 de dezembro, às 13h (horário central), em base do Texas, sem transmissão pública.
Saber mais
- CNN, Whether Tennessee tries to execute Christa Pike again is an open question
- CNN, Christa Pike discharged from hospital, attorney says
- CNN, Christa Pike execution attempt: What happened?
- PBS NewsHour, Christa Pike is conscious and speaking after failed execution attempt
- CBS News, Trump calls off plan to livestream Fort Hood shooter's execution
- CNBC, Trump says Nidal Hasan execution won't be livestreamed
- TIME, Trump Cancels Livestream of Fort Hood Firing Squad Execution
- The Hill, Trump cancels Hegseth's planned livestream for Nidal Hasan execution
- NBC News, Trump says government won't livestream execution of Nidal Hasan
Leia também
Congresso da Colômbia aprova orçamento de US$ 201 bilhões com déficit de 9,4% do PIB

Seul vai retirar parte da equipe da embaixada em Kiev após disputa por prisioneiros

Zelensky exige Ucrânia à mesa em eventual encontro de Putin, Trump e Xi na China

Romaria de Guadalupe reúne de 5 mil a 6 mil fiéis em Pelotas, mesmo com mau tempo

Mais lidas
1Debate de domingo mexe pouco com dólar e Ibovespa; pesquisas dominam o pregão2Debate da Band faz "idade do Lula" subir nas buscas; Quaest e Datafolha medem efeito3TSE dá 24 horas para Meta provar isonomia entre Lula e Flávio; multa pode dobrar4Demanda recorde em leilão japonês faz iene subir; dólar encerrou segunda a R$ 5,045Real Time Big Data dá Flávio 52% a 48% sobre Lula; Alfa tem 51,5% a 48,5% no mesmo dia