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Nutricionista: câncer de mama não exige cortar açúcar e carboidrato sem avaliação

Em pleno Outubro Rosa, Andrezza Botelho diz que manter energia e proteínas pesa mais que seguir dieta de internet, linha que o INCA e uma diretriz europeia também adotam.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Foto: Nutricionista: câncer de mama não exige cortar açúcar e carboidrato sem avaliação
Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mulheres em tratamento de câncer de mama não devem eliminar alimentos por conta própria nem adotar dietas encontradas na internet. A orientação é da nutricionista Andrezza Botelho, divulgada nesta terça (20), em pleno Outubro Rosa. Segundo ela, açúcar e carboidratos não precisam sair do prato sem uma avaliação individual.

Quadro: Nutricionista: câncer de mama não exige cortar açúcar e carboidrato sem avaliação
Entenda em um quadro · Bairrista

Para quem está em tratamento, isso significa trocar a pergunta "o que cortar?" por "como comer o suficiente?". Andrezza afirma que, em certas fases, manter a ingestão adequada de energia e proteínas importa mais do que emagrecer.

O que a nutricionista recomenda

Andrezza, que tem clínica em São Paulo e registro CRN-3 13090, diz que a comida deve apoiar o tratamento, não substituí-lo. "Não existe uma dieta milagrosa capaz de substituir o tratamento médico", afirma.

Segundo ela, o tratamento pode causar alterações no apetite, náuseas, mudanças no paladar, dificuldade para se alimentar e perda de peso. Em outros casos, há ganho de peso. Retirar grupos alimentares sem orientação, diz a nutricionista, reduz nutrientes justamente quando o organismo mais precisa deles.

Sobre o açúcar, ela explica que o organismo precisa de glicose e que não faz sentido tratar um único nutriente como vilão. Isso não livra os ultraprocessados e os alimentos ricos em açúcares adicionados, que seguem fora da recomendação. O carboidrato também não deve ser excluído como regra geral: o que se avalia são as fontes e a quantidade para cada paciente.

O que dizem INCA e diretriz europeia

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) tem uma cartilha sobre dietas restritivas e alimentos milagrosos. No material, o órgão afirma que não há evidências científicas suficientes de que cortar carboidratos ajude a "matar o tumor" em humanos. Uma nutricionista do Hospital do Câncer II (HC II), do INCA, relatou que muitos pacientes que seguem recomendações da internet chegam mais debilitados, com menor tolerância à terapia.

A diretriz da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) recomenda proteína acima de 1 grama por quilo ao dia e, se possível, até 1,5 grama. O documento também desaconselha dietas que aumentem o risco de induzir ou agravar a desnutrição. Como primeiro passo, indica aconselhamento nutricional para controlar sintomas e estimular alimentos ricos em proteína e energia.

Relação com a comida também conta

Andrezza afirma que o diagnóstico pode alimentar medo e culpa diante de certos alimentos, e que a busca por controle leva a restrições excessivas. Para ela, a alimentação deve ser "uma ferramenta de cuidado", não uma lista crescente de proibições. A recomendação é contar com equipe multidisciplinar e adaptar as escolhas ao estado de saúde e ao tratamento de cada mulher.

Mudanças de peso, perda de apetite, dificuldade para mastigar ou engolir, náuseas, alterações intestinais e do paladar devem ser comunicadas à equipe de saúde. É ela quem pode encaminhar a paciente ao acompanhamento nutricional e ajustar a alimentação a cada etapa do tratamento.

Perguntas frequentes

Posso cortar açúcar e carboidrato durante o tratamento do câncer de mama?

Não por conta própria. A recomendação é avaliação individual com equipe multidisciplinar, pois retirar grupos alimentares sem orientação reduz nutrientes justamente quando o organismo mais precisa deles.

A dieta da internet ajuda a combater o câncer de mama?

Não. O INCA afirma que não há evidências científicas suficientes de que cortar carboidratos ajude a matar o tumor em humanos, e relata que pacientes que seguem dietas da internet chegam mais debilitados.

Quanto de proteína a paciente deve consumir?

A diretriz da ESPEN recomenda proteína acima de 1 grama por quilo ao dia e, se possível, até 1,5 grama.

O que fazer se houver perda de apetite ou alteração no paladar?

Comunicar à equipe de saúde, que pode encaminhar a paciente ao acompanhamento nutricional e ajustar a alimentação a cada etapa do tratamento.

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